SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE

CNPJ/MF nº 60.517.984/0001-04
Fundação: 25 de janeiro de 1930
Apelidos: O Mais Querido, Clube da Fé, SPFC, Tricolor Paulista.
Esquadrão de Aço (30-35), Tigres da Floresta (30-35), Rolo Compressor (38-39, 43-49), Tricolor do Canindé (44-56), Rei da Brasilidade (50-60), Tricolor do Morumbi (60-), Máquina Tricolor (80/81), Tricolaço (80/81), Menudos do Morumbi (85-89), Máquina Mortífera (92/93), Expressinho Tricolor (94), Time de Guerreiros (2005), Soberano (2008), Jason (08-09), Exército da Salvação (2017), O Mais Popular (2023), Campeão de Tudo (2024).
Mascote: São Paulo, o santo.
Lema: Pro São Paulo FC Fiant Eximia (Em prol do São Paulo FC façam o melhor).
Endereço: Pr. Roberto Gomes Pedrosa, 1. Morumbi; São Paulo - SP. CEP: 05653-070.
Site Oficial: www.saopaulofc.net
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Telefone: (55-0xx11) 3749-8000. Fax: 3742-7272.
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sábado, 13 de janeiro de 2018

O Rolo Compressor e o Rei da Década de 40

Texto originalmente publicado no dia 9 de outubro de 2017 no site saopaulofc.net.


Os fatos demonstram que a torcida são-paulina, nos anos 40, frequentava o Pacaembu para ver o Tricolor não se perguntando se o time conseguiria a vitória, mas sim de quanto venceria, ou, indo além, apostando qual seria o placar da goleada. Esse período ficou conhecido como a "Era do Rolo Compressor", quando o clube que conquistou cinco títulos estaduais (a competição mais importante do período) em sete anos: 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949: o Rei da Década!

Como diz o ditado, depois de aberta a porteira, onde passa um boi, passa uma boiada. Com o título de 1943 e a moeda que caiu de pé, iniciou-se o reinado do São Paulo no Estado naquela década. Não fosse pelo ano perdido de 1947, seriam seis títulos e um penta consecutivo. O esquadrão comandado por Leônidas era praticamente insuperável. Mas a história do termo "rolo compressor", contudo, nasceu antes mesmo da chegada do Diamante Negro ao Tricolor.

A ORIGEM

Muitos pesquisadores defendem que o primeiro time apelidado como rolo compressor no Brasil foi o Internacional, no início dos anos 40. O time porto-alegrense chegou a ser hexacampeão local naquele período. Porém, a alcunha era aplicada aos são-paulinos já alguns anos antes da primeira conquista colorada daquela fase, em 1940.


É o que se vê na revista Arakan: Órgão do Grêmio Sampaulino, de setembro de 1940 (antes mesmo de finalizado o gauchão vencido pelo Internacional - encerrado em novembro), onde o próprio Vicente Feola relata como o time por ele comandado, que pouco antes havia incorporado o Clube Atlético Estudantes Paulista, arrancou para o topo do Campeonato Paulista de 1938, aplicou a maior goleada até hoje já executada sobre o Palestra/Palmeiras e que somente não se sagrou campeão pelo desvio de conduta da arbitragem na partida decisiva do certame, contra o Corinthians, na qual se validou um gol de mão cometido pelo rival.

Ou seja, de toda maneira, o São Paulo era conhecido como "Rolo Compressor" desde 1938/1939 (o campeonato daquela temporada acabou no ano seguinte). Com a volta dos títulos e, principalmente, dos placares dilatados à favor do Tricolor, o apelido Rolo Compressor ganhou peso (e concorrência de outras equipes no uso da nomenclatura) nos anos seguintes.


A MAIOR GOLEADA DO PACAEMBU
.
Nos dez primeiros anos do Tricolor no Estádio Municipal foram, nada menos, que 172 vitórias e 64 goleadas aplicadas nos adversários (em um universo de 281 partidas - 61% de jogos ganhos e praticamente uma goleada a cada cinco jogos, ou ainda: mais de um terço das vitórias foram com resultados expressivos)

Dentre as mais famosas goleadas, um estrondoso 9 a 1 em cima do Santos, em 1944, a maior goleada do clássico até hoje. Curiosamente, na preliminar daquele jogo, os aspirantes massacraram o time da Vila por espantosos 14 a 1. 23 gols tricolores em um só dia! Algo não muito diferente aconteceu no ano seguinte, mais exatamente no dia 8 de julho de 1945, pelo Paulistão: Outra vitória marcante, mas agora por 12 a 1 no Jabaquara!


O São Paulo, que naquela altura já liderava a competição da qual viria a sagrar-se campeão, não tomou conhecimento do adversário e poderia ainda ter terminado o jogo com contagem mais elevada no placar. O destaque ficou para o capitão Leônidas, que marcou quatro belos gols, inclusive um de "letra" e relembrou as memoráveis atuações do centroavante pela seleção brasileira.


O jogo foi o famoso "vira seis, acaba doze", pois ao fim da primeira etapa o São Paulo já goleava por meia dúzia a zero. Os gols foram anotados por Remo, aos 17, Leônidas, aos 18, Leônidas, aos 31, Teixeirinha, aos 38, Remo, aos 39 e Leônidas, aos 42 minutos do primeiro tempo, seguindo por Barrios, aos 8, Leônidas, de calcanhar, aos 11, Teixeirinha, aos 15, Remo, aos 17, Teixeirinha, aos 40 minutos e por fim (aleluia), já perto do final do segundo tempo, Remo marcou o 12º tento do Tricolor (o Jabaquara marcou o tal gol de honra, de pênalti, quando o placar já se encontrava em 10 a 0).

Foi a maior goleada da história do Tricolor após a reorganização do clube em 1935, como também o maior placar já visto no Pacaembu e no Campeonato Paulista profissional. Mas até ai, tudo bem. O peculiar se encontra no fato de que na preliminar o São Paulo venceu por 8 a 1. Desta vez, então, foram 20 gols tricolores em um único dia (pequena queda de rendimento), 22 ao todo.


Com o time voando, não foi de se espantar que o Tricolor conquistasse o título do Estadual de 1945 com duas rodadas de antecipação e apenas uma derrota (vingada com requintes de crueldade um ano depois). O troféu veio contra o modesto Ypiranga. Porém, na temporada seguinte, a façanha foi realmente épica...


A TAÇA DOS INVICTOS

O ano de 1946 foi um capítulo marcante e especial na história do Tricolor. A temporada começou auspiciosamente bem: goleada para cima do Corinthians – 5 a 1 (gols de Rubén Barrios, duas vezes, Remo, Antoninho e Américo), logo no dia 1º de janeiro.

E terminou magnificamente, com a conquista do título paulista – o primeiro da história são-paulina realizado de forma invicta (feito que só veio a se repetir em 2012, com a Copa Sul-Americana, entre as competições de longa duração).


Porém, entre o começo e o fim, o Tricolor logrou outras grandes façanhas. Na estreia do Campeonato Paulista, 4 a 0 sobre o pequeno Jabaquara. Antes da segunda rodada, deu tempo de golear o Flamengo, em amistoso no Pacaembu, por 7 a 1: uma partida sensacional de Teixeirinha, que marcou quatro gols (Leônidas deixou dois e Yeso completou o placar).

No estadual, o Tricolor então embalou seis sucessos seguidos, culminando em nova vitória sobre o Corinthians, agora por 2 a 1, em junho, antes de um ligeiro tropeço: o empate em 1 a 1 com a Portuguesa, na sétima rodada.  Nos clássicos posteriores: 3 a 2 no Santos, na Vila Belmiro, e 1 a 1 com o Palmeiras. Seguiu-se, depois, outra série de seis vitórias consecutivas e mais uma partida contra o time do Parque São Jorge.


No dia 29 de setembro de 1946, o São Paulo bateu mais uma vez no Corinthians (2 a 1 novamente) e conquistou um prêmio há muito cobiçado: a Taça dos Invictos de A Gazeta Esportiva. O troféu foi instituído em 1939 pelo jornal paulistano e era concedido ao clube que quebrasse o recorde de jogos consecutivos sem perder no Campeonato Paulista (que naquela ocasião era a marca de 22 jogos, número pertencente ao Palestra Itália de 1934).

O São Paulo, sobrepujando o Corinthians, completou 23 jogos invictos, contando com os últimos seis resultados do certame de 1945 - a sequência começou após a única derrota do time naquela edição, frente ao mesmo oponente. A revanche veio com um gosto todo especial. Os festejos pela condecoração foram enormes e paralisaram a capital paulista.


Os jogos invictos

1º. 19.08.1945. Pacaembu: 4x0 Santos
2º. 26.08.1945. Pacaembu: 2x1 Portuguesa
3º. 09.09.1945. Pacaembu: 2x1 Comercial-SP
4º. 16.09.1945. Pacaembu: 3x2 Ypiranga
5º. 23.09.1945. Pacaembu: 1x1 Palmeiras
6º. 30.09.1945. Marapá. 5x1 Portuguesa Santista
7º. 14.04.1946. Pacaembu: 4x0 Jabaquara
8º. 27.04.1946. Pacaembu: 5x2 Portuguesa Santista
9º. 05.05.1946. Pacaembu: 3x1 São Paulo Railway
10º. 19.05.1946. Pacaembu: 4x3 Ypiranga
11º. 01.06.1946. Pacaembu: 7x3 Juventus
12º. 09.06.1946. Pacaembu: 2x1 Corinthians
13º. 23.06.1946. Pacaembu: 1x1 Portuguesa
14º. 07.07.1946. Pacaembu: 6x2 Comercial-SP
15º. 14.07.1946. Vila Belmiro: 3x2 Santos
16º. 21.07.1946. Pacaembu: 1x1 Palmeiras
17º. 28.07.1946. Marapé: 2x0 Portuguesa Santista
18º. 11.08.1946. Pacaembu: 4x2 Comercial-SP
19º. 18.08.1946. Pacaembu: 1x0 Ypiranga
20º. 31.08.1946. Pacaembu: 2x0 Santos
21º. 07.09.1946. Marapé: 4x0 Jabaquara
22º. 15.09.1946. Pacaembu: 2x0 São Paulo Railway
23º. 29.09.1946. Pacaembu: 2x1 Corinthians (conquista)
24º. 13.10.1946. Pacaembu: 1x1 Portuguesa (ampliação)
25º. 26.10.1946. Pacaembu: 7x0 Juventus
26º. 10.11.1946. Pacaembu: 1x0 Palmeiras
27º. 25.05.1947. Pacaembu: 3x1 Comercial-SP
28º. 31.05.1947. Pacaembu: 1x1 Nacional
29º. 15.06.1947. Pacaembu: 3x3 Portuguesa
30º. 22.06.1947. Pacaembu: 7x2 Juventus (número final)



O GOL MILAGROSO

O São Paulo chegou às duas rodadas finais do Paulistão de 1946 com somente três pontos perdidos, dentre 36 possíveis. O segundo colocado na tabela era o próprio Corinthians, freguês na temporada, que possuía quatro pontos perdidos – as duas únicas derrotas deles foram justamente para o Rolo Compressor.

Nessa penúltima rodada, o Tricolor enfrentou o Juventus e goleou por 7 a 0, com direito a espetáculo de Luizinho, que fez quatro gols e um mais bonito que o outro (de pé direito, de cabeça, de falta e de chaleira). Já o Corinthians sofreu, mas venceu o Ypiranga por 3 a 2. A decisão seria mesmo na última rodada e seria a vez do time do Parque São Jorge enfrentar o combalido Juventus. Por sua vez, o São Paulo bateria de frente com o Palmeiras, rival da conquista de três anos antes. O jogo dos são-paulinos, todavia, seria uma semana depois da partida corintiana!

Apesar do espetáculo que o então Tricolor do Canindé deu em todo o campeonato, muitos analistas viam o rival como favorito ao título, visto o tradicional nível de dificuldade do Choque-Rei e ao fato do Corinthians ter goleado o Juventus por 5 a 1, obrigando os tricolores a vencerem o clássico (um empate provocaria decisão em jogo extra entre os dois primeiros colocados).

A Gazeta Esportiva, 9 de novembro de 1946

Entre 40 e 45 mil pessoas no Pacaembu para a decisão do Paulista de 1946. Bola rolando, jogo tenso e amarrado na etapa inicial, com poucas chances para ambos os lados. O primeiro tempo terminou como começou, 0 a 0. O cenário mudou radicalmente na fase complementar, em que o São Paulo dominou a peleja, fazendo forte pressão.

Aos 12 minutos do segundo tempo, o tricolor Luizinho atingiu o goleiro palmeirense em uma dividida. Começou a confusão, com socos e pontapés aqui e acolá. Quando a coisa se acalmou, o árbitro expulsou dois de cada lado: Luizinho e Remo, pelo São Paulo, Og e Villadoniga, pelo Palmeiras. Mas sobrou também para o argentino e são-paulino Renganeschi, que no rebuliço levou uma pancada e, contundido, foi deslocado para a ponta esquerda para fazer número (não eram permitidas substituições, na época).

Praticamente com um a menos, o fim do jogo foi de muita superação e vontade por parte dos tricolores. Aos 38 minutos, Bauer avançou pela ponta direita e cruzou. A bola subiu estranhamente, enganou o goleiro adversário e bateu no travessão. Então, de onde menos se esperava, veio o sutil toque que rolou a bola mansamente para o fundo do gol. Renganeschi! Manquitolando no ataque, o zagueiro definiu o jogo e o título!




A temporada do foi perfeita. Até hoje, nenhuma outra campanha superou essa em aproveitamento. 84,21% dos pontos disputados (à época, 2 pontos por vitória): 30 vitórias, quatro empates, quatro derrotas. No Campeonato Paulista, 92,5% de aproveitamento e nenhuma derrota. Título invicto!


O FIM DE UMA ERA

Depois perder a chance de obter o tricampeonato estadual em 1947, o São Paulo trocou o comando técnico do time, com Vicente Feola no lugar do grande campeão Joreca (que veio a falecer pouco tempo depois, em dezembro de 1949). Feola, velho conhecido dos são-paulinos - assumiu a primeira vez o cargo de técnico em 1937 - manteve o Rolo Compressor na linha e já na primeira temporada saiu-se vitorioso: Campeão Paulista de 1948.


Foi nessa temporada que Leônidas eternizou a bicicleta em imagem. O terceiro gol do Tricolor na vitória por 8 a 0 sobre o Juventus, no dia 13 de novembro, em que o camisa número nove (o primeiro são-paulino a usar esse número em campo - pois as camisas passaram a ser identificadas assim justamente ao final desse ano) executou essa jogada em cima do goleiro Muñiz, foi captada pelas lentes fotográficas e registrada nos exemplares de A Gazeta Esportiva para todo o sempre.

No ano seguinte, 1949, o Tricolor voltou a vencer o Campeonato Paulista, sagrando-se bicampeão. Foi o último título da era Rolo Compressor. 

Ao derrotar o Santos (quando precisava somente do empate para já comemorar com uma rodada de antecipação), por 3 a 1, com gols de Teixeirinha e Friaça (2), no dia 20 de novembro, os são-paulinos celebraram o último título daquele período e foram coroados campeões da década.


Desta maneira, o clube tomou posse definitiva e levou para o Canindé – então sede do São Paulo – a Taça Federação Paulista de Futebol (troféu instituído em 1942, que era de posse transitória até que um clube o conquistasse três vezes consecutivas ou cinco alternadas).

A conquista fez jus à equipe são-paulina, que estabeleceu o melhor ataque e a melhor defesa do certame, com 70 gols marcados e 23 sofridos, em 22 partidas disputadas, possuindo ainda o artilheiro do torneio: Friaça, com 24 tentos. O time sofreu somente duas derrotas, para o Santos, no primeiro turno, e para o XV de Piracicaba, o “campeão do interior”, lá na terra do “Nhô Quim”. E ainda deixou para a posteridade grandes goleadas, como um 8 a 2 no Juventus, 5 a 0 no Nacional, 5 a 1 no Ypiranga e um 5 a 1 no Palmeiras, até então invicto.


Esse título tricolor foi o derradeiro com a presença do eterno Diamante Negro (e também foi a última temporada em que marcou um gol de bicicleta pelo clube: no 7 a 2, contra o Comercial paulistano). Leônidas da Silva, que jogou no Tricolor entre 1942 e 1950, foi o maior responsável pela revolução que o São Paulo passou, transformando-se em uma das maiores potências do país.

Ao lado de Leônidas, os outros ídolos presentes em todas as cinco conquistas daquela década foram Teixeirinha, Noronha e Remo. 

Em 1950, o São Paulo não conseguiu superar o adversário e a arbitragem para conquistar o tão esperado tricampeonato. Na última rodada, o Tricolor estava um ponto atrás do Palmeiras e enfrentou o mesmo adversário, no dia 28 de janeiro de 1951. A vitória daria o título aos são-paulinos e foi esse resultado que o time procurou desde o início. Teixeirinha abriu o placar logo aos três minutos de jogo. No segundo tempo, o rival empatou aos 15 minutos. 


O lance cabal do jogo, do torneio e do tricampeonato foi quando Teixeirinha marcou o gol que representaria a vitória tricolor, mas que foi anulado pelo bandeirinha Richard Eason e pelo árbitro Alvin Bradley - ambos ingleses. Imagens (como a vista acima, da Revista Tricolor nº 14, de fevereiro de 1951) comprovam que o atacante são-paulino não estava em posição de impedimento, tendo entre ele (encoberto) e o goleiro, na verdade, outros dois adversários.

Boatos dizem que a arbitragem inglesa foi vista, depois, celebrando o carnaval ao lado de belas mulheres em certo clube da capital. Meros boatos. 


BÔNUS: O EXPRESSINHO

Nos anos 40, não foi somente o time principal do Tricolor que sobrou no campo do Pacaembu nos anos 40. Outra equipe são-paulina que dava show - e aplicava até mesmo goleadas muito maiores (como o 14 a 0 sobre o Santos, em 1944) - era a de jogadores aspirantes. 


De 1943 (foto) a 1947, o time considerado reserva do São Paulo ganhou tudo. Pentacampeão consecutivamente do Campeonato Paulista da categoria (também venceu o Campeonato Paulista Amador de 1942). O time que revelaria Yeso, Leopoldo, Antoninho e Savério para o elenco profissional, voava no gramado. Em 101 jogos no período 1943-47, venceram 77 vezes, empataram 18 e perderam apenas seis partidas, marcando 325 gols (média de mais de três gols por peleja) e sofrendo só 96 (menos de um por disputa). 

Por tamanho futebol, este time aspirante ficou conhecido como Expressinho. O nome em si faz referência ao Expresso da Vitória, nome ao qual ficou conhecida a vitoriosa equipe do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro dos anos 40, um dos poucos adversários a altura do Rolo Compressor do Tricolor, no período. 

O apelido, posteriormente, teve a notoriedade resgatada (em verdade, ao longo dos anos sempre foi vez ou outra utilizado). Primeiramente com os fortes times de base criados por Cilinho na época dos Menudos do Morumbi, em meados dos anos 80, e principalmente no início dos anos 90, graças ao trabalho de Telê Santana e Muricy Ramalho, culminado com a conquista da Copa Conmebol de 1994, em que o São Paulo eliminou os times principais de Grêmio e Corinthians, e goleou na final o Peñarol do Uruguai (6 a 0), mesmo tendo atuado com um time de jovens das categorias de base, formado por Rogério Ceni, Juninho, Catê, Denilson e Caio, dentre outros guris.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Três gols marcados em um único Choque-Rei

Somente seis vezes são-paulinos conseguiram marcar três gols em uma única partida do clássico contra o Palmeiras.

Armandinho (3)06/12/1931Camp. PaulistaCh. Floresta4x0
Armandinho (3)26/03/1939Camp. PaulistaR. Moóca6x0
Dino Sani (3)27/12/1956Camp. PaulistaPacaembu5x3
Raí (3)05/12/1992Camp. PaulistaMorumbi4x2
Aristizábal (3)25/05/1997Camp. PaulistaMorumbi4x1
Serginho (3)09/05/1999Camp. PaulistaMorumbi5x1

Todos foram vitoriosos. Desses, somente Armandinho realizou a proeza duas vezes. Reza a lenda, os palestrinos queriam muito dar o troco pelo 4 a 0 sofridos em 1931, e não conseguiam. O assunto voltou à pauta quando Armandinho retornou ao Tricolor, depois da passagem dele pelo Estudantes Paulista. Foi só voltar que... 6 a 0 para o São Paulo, com outra grande atuação do atacante.

Serginho. Jornal Lance! de 10 de maio de 1999.

sábado, 18 de novembro de 2017

Evolução das vantagens de vitórias no Choque-Rei

Quadro que retrata o saldo de vitórias do São Paulo contra o Palmeiras, ano a ano.
Em vermelho: desempenho negativo do Tricolor; em preto, positivo; cinza, neutro.

ANO DATA COMPETIÇÃO Favor Placar Contra Saldo
1930 15/11/1930 Festival da APEA 2 X 2 0
1931 06/12/1931 Camp. Paulista 4 X 0 0
1932 08/05/1932 Camp. Paulista 2 X 3 -1
1933 12/11/1933 Paulista & RJ-SP 0 X 1 -3
1934 28/10/1934 Paulista Extra 1 X 0 -2
1935 10/03/1935 Amistoso 2 X 2 -2
1936 25/10/1936 Camp. Paulista 0 X 3 -3
1937 25/07/1937 Camp. Paulista 0 X 1 -4
1938 22/12/1938 T. Noturno 0 X 1 -9
1939 15/10/1939 Camp. Paulista 2 X 1 -8
1940 08/12/1940 Camp. Paulista 1 X 4 -11
1941 05/10/1941 Camp. Paulista 2 X 1 -10
1942 20/09/1942 Camp. Paulista 1 X 3 -11
1943 03/10/1943 Camp. Paulista 0 X 0 -10
1944 17/09/1944 Camp. Paulista 1 X 3 -10
1945 23/09/1945 Camp. Paulista 1 X 1 -10
1946 10/11/1946 Camp. Paulista 1 X 0 -10
1947 14/12/1947 Camp. Paulista 1 X 1 -10
1948 28/11/1948 Camp. Paulista 3 X 3 -9
1949 23/10/1949 Camp. Paulista 4 X 2 -6
1950 15/10/1950 Camp. Paulista 0 X 2 -8
1951 23/09/1951 Camp. Paulista 1 X 0 -9
1952 28/12/1952 Camp. Paulista 2 X 2 -10
1953 13/09/1953 Camp. Paulista 3 X 1 -10
1954 10/10/1954 Camp. Paulista 2 X 1 -9
1955 04/09/1955 Camp. Paulista 0 X 2 -11
1956 19/04/1956 Roberto G. Pedroza 0 X 2 -12
1956 27/12/1956 Camp. Paulista 5 X 3 -8
1957 22/12/1957 Camp. Paulista 1 X 0 -5
1958 06/12/1958 Camp. Paulista 2 X 2 -5
1959 20/12/1959 Camp. Paulista 2 X 0 -5
1960 19/10/1960 Camp. Paulista 0 X 2 -8
1961 22/11/1961 Camp. Paulista 0 X 0 -8
1962 13/12/1962 Camp. Paulista 1 X 0 -3
1963 17/12/1963 Camp. Paulista 0 X 1 -2
1964 15/11/1964 Camp. Paulista 5 X 2 -2
1965 24/10/1965 Camp. Paulista 1 X 2 -6
1966 15/12/1966 Camp. Paulista 0 X 3 -7
1967 03/12/1967 Camp. Paulista 0 X 0 -7
1968 03/11/1968 Amistoso 3 X 2 -6
1969 05/11/1969 Robertão 2 X 1 -6
1970 20/09/1970 Robertão 0 X 2 -7
1971 23/10/1971 Camp. Brasileiro 1 X 1 -5
1972 10/12/1972 Camp. Brasileiro 2 X 0 -4
1973 25/11/1973 Camp. Brasileiro 2 X 1 -3
1974 10/11/1974 Camp. Paulista 1 X 2 -3
1975 12/10/1975 Camp. Brasileiro 0 X 0 -2
1976 17/10/1976 Camp. Brasileiro 1 X 2 -5
1977 06/11/1977 Camp. Brasileiro 0 X 2 -5
1978 10/09/1978 Camp. Paulista 0 X 0 -5
1979 06/10/1979 Camp. Paulista 2 X 0 -3
1980 12/10/1980 Camp. Paulista 3 X 0 0
1981 04/10/1981 Camp. Paulista 6 X 2 1
1982 17/10/1982 Camp. Paulista 1 X 3 -1
1983 25/11/1983 Camp. Paulista 1 X 0 1
1984 25/11/1984 Camp. Paulista 1 X 1 -2
1985 10/11/1985 Camp. Paulista 1 X 2 -2
1986 14/12/1986 Camp. Brasileiro 2 X 2 -1
1987 26/09/1987 Camp. Brasileiro 1 X 2 -2
1988 13/11/1988 Camp. Brasileiro 1 X 1 -1
1989 05/11/1989 Camp. Brasileiro 2 X 2 -1
1990 21/10/1990 Camp. Brasileiro 1 X 2 -3
1991 01/12/1991 Camp. Paulista 0 X 0 -2
1992 20/12/1992 Camp. Paulista 2 X 1 -1
1993 04/12/1993 Camp. Brasileiro 0 X 2 -2
1994 30/10/1994 Camp. Brasileiro 2 X 2 -1
1995 26/11/1995 Camp. Brasileiro 0 X 2 -3
1996 29/09/1996 Camp. Brasileiro 1 X 2 -6
1997 07/09/1997 Camp. Brasileiro 0 X 2 -6
1998 26/07/1998 Camp. Brasileiro 1 X 2 -5
1999 03/10/1999 Camp. Brasileiro 0 X 0 -4
2000 30/11/2000 Camp. Brasileiro 1 X 2 -1
2001 06/10/2001 Camp. Brasileiro 0 X 1 -1
2002 02/10/2002 Camp. Brasileiro 1 X 1 -1
2004 02/10/2004 Camp. Brasileiro 2 X 1 -1
2005 12/11/2005 Camp. Brasileiro 1 X 2 1
2006 24/09/2006 Camp. Brasileiro 1 X 3 3
2007 29/08/2007 Camp. Brasileiro 1 X 0 5
2008 19/10/2008 Camp. Brasileiro 2 X 2 5
2009 30/08/2009 Camp. Brasileiro 0 X 0 6
2010 19/09/2010 Camp. Brasileiro 2 X 0 7
2011 27/11/2011 Camp. Brasileiro 0 X 1 6
2012 06/10/2012 Camp. Brasileiro 3 X 0 7
2013 10/03/2013 Camp. Paulista 0 X 0 7
2014 16/11/2014 Camp. Brasileiro 2 X 0 8
2015 27/09/2015 Camp. Brasileiro 1 X 1 6
2016 07/09/2016 Camp. Brasileiro 1 X 2 5
2017 27/08/2017 Camp. Brasileiro 2 X 4 4

Os jogos destacados são os últimos de cada temporada, que deixaram o confronto com o saldo especificado (exceto a partida de 19 de abril de 1956, que permanece na lista para ilustrar o auge da desvantagem do Tricolor no embate). 

A desvantagem que o São Paulo possuiu durante boa parte da história se deve basicamente aos difíceis anos de reconstrução do Tricolor, no final da década de 30. Mesmo nos vitoriosos anos seguintes, o clube apenas conseguiu manter a margem estabelecida. Somente em 1980 o São Paulo conseguiu zerar essa desvantagem.

Em 1981, pela primeira vez, e em 1983, o São Paulo ficou à frente no confronto. As três derrotas seguidas ocorridas em 1984 foram o fiel da balança para a década seguinte, que foi muito parelha. O embate voltou a ficar desnivelado ao final da era Parmalat.

Já no começo desse século, o Tricolor começou a reverter a vantagem (o desempenho no Paulista e na Copa do Brasil de 2000 foram importantes para isso). A liderança do São Paulo nesse confronto se deve, hoje, muito às vitórias obtidas na Copa Libertadores de 2005 e 2006, como também a invencibilidade do clube frente ao adversário em partidas no Morumbi - que levou ao auge no saldo de vitórias em 2014. 

De lá pra cá, o número caiu pela metade por derrotas no Campeonato Paulista. Curiosamente, dos quatro jogos, três foram fora de casa - em um campeonato de turno único.



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Dois lados do histórico gol de Renganeschi em 1946

Ambas imagens do jornal O Esporte de 11 e 18 de novembro de 1946

A campanha invicta que rendeu a conquista do Campeonato Paulista de 1946 pelo Tricolor foi coroada com esse gol épico de Renganeschi. 

No dia 10 de novembro, São Paulo e Palmeiras se enfrentaram pela última rodada do estadual valendo o título, mas este não era disputado exatamente contra o adversário verde. Caso a partida acabasse empatada, ocorreria um jogo extra decisivo entre o Tricolor e o Corinthians. Se porventura o São Paulo fosse derrotado pelo time de Parque Antártica, Romeu entregaria as flores à Julieta. 

Com a bola rolando, o jogo foi tenso e eletrizante. Aos 12 minutos do segundo tempo, o tricolor Luizinho atingiu o goleiro adversário (foto bônus abaixo). Veio aquela confusão toda. Quando a coisa acalmou, o árbitro expulsou dois de cada lado. Sobrou também para o argentino e são-paulino Renganeschi, que no rebuliço levou uma forte pancada e, contundido, foi deslocado para a ponta esquerda, para fazer número (não eram permitidas substituições, naquela época).

Praticamente com um a menos, o fim do jogo foi de muita superação e vontade. Aos 38 minutos da etapa complementar, Bauer avançou pela ponta direita e cruzou. A bola subiu, enganou o goleiro Oberdan e bateu no travessão. De onde menos se esperava, então, veio um sutil toque que rolou a bola mansamente para o fundo do gol. 

Renganeschi! Manquitolando, definiu o jogo e o título!


Sociedade Esportiva PALMEIRAS 0 X 1 SÃO PAULO Futebol Clube
10.11.1946. Campeonato Paulista
São Paulo (SP). Estádio Municipal de São Paulo - Pacaembu

SEP: Oberdan, Caieira e Gengo; Og Moreira, Tulio e Valdemar Fiume; Lula, Lima, Villadoniga, Canhotinho e Mantovani. Técnico: Ventura Cambon.
Expulsões: Og Moreira; Villadoniga

SPFC: Gijo; Piolim e Armando Renganeschi; Ruy, Bauer e Noronha; Luizinho (capitão), Antonio Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha. Técnico: Joreca.
Gols: Armando Renganeschi
Expulsões: Luizinho; Remo

Árbitro: Bruno Nina
Renda: Cr$ 651.125,00

O fortuito lance de Luizinho, que acabou selando o destino / A Gazeta, 11 de novembro

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Choque-Rei: ano a ano

São Paulo melhor em 41 anos

1931, 1934, 1939, 1941, 1943, 1948, 1949, 1954, 1956, 1957, 1958, 1962, 1963, 1968, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1977, 1979, 1980, 1981, 1983, 1986, 1988, 1991, 1992, 1994, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2005, 2006, 2007, 2009, 2010, 2012, 2014

Palmeiras/Palestra Itália melhor em 32 anos

1932, 1933, 1936, 1937, 1938, 1940, 1942, 1944, 1950, 1951, 1952, 1953, 1955, 1959, 1960, 1965, 1966, 1969, 1970, 1976, 1982, 1984, 1987, 1990, 1993, 1995, 1996, 2008, 2011, 2015, 2016, 2017

Empate: 14 anos

1930, 1935, 1945, 1946, 1947, 1961, 1964, 1967, 1978, 1985, 1989, 2002, 2004, 2013

Não houve disputa: 1 ano

2003

ANO JGs VIT EMP DER GM GS SG MELHOR
1930 3 0 3 0 6 6 0 EMPATE
1931 3 1 1 1 8 5 3 SPFC
1932 1 0 0 1 2 3 -1 SEP
1933 3 0 1 2 3 5 -2 SEP
1934 3 2 0 1 2 2 0 SPFC
1935 1 0 1 0 2 2 0 EMPATE
1936 1 0 0 1 0 3 -3 SEP
1937 2 0 1 1 0 1 -1 SEP
1938 5 0 0 5 4 12 -8 SEP
1939 3 2 0 1 9 3 6 SPFC
1940 3 0 0 3 3 10 -7 SEP
1941 2 1 1 0 2 1 1 SPFC
1942 4 1 1 2 4 6 -2 SEP
1943 3 1 2 0 2 1 1 SPFC
1944 3 1 1 1 6 7 -1 SEP
1945 3 1 1 1 2 2 0 EMPATE
1946 3 1 1 1 3 3 0 EMPATE
1947 3 1 1 1 6 6 0 EMPATE
1948 2 1 1 0 5 4 1 SPFC
1949 3 3 0 0 11 4 7 SPFC
1950 4 0 2 2 4 7 -3 SEP
1951 4 1 1 2 4 6 -2 SEP
1952 6 1 3 2 6 9 -3 SEP
1953 3 1 1 1 4 6 -2 SEP
1954 4 2 1 1 5 4 1 SPFC
1955 3 0 1 2 1 4 -3 SEP
1956 6 4 1 1 17 8 9 SPFC
1957 6 3 3 0 10 6 4 SPFC
1958 4 1 2 1 11 9 2 SPFC
1959 4 2 0 2 6 8 -2 SEP
1960 4 0 1 3 3 9 -6 SEP
1961 3 0 3 0 1 1 0 EMPATE
1962 6 5 1 0 10 5 5 SPFC
1963 3 2 0 1 5 3 2 SPFC
1964 3 1 1 1 5 5 0 EMPATE
1965 4 0 0 4 1 10 -9 SEP
1966 3 1 0 2 6 9 -3 SEP
1967 3 0 3 0 2 2 0 EMPATE
1968 4 2 1 1 6 5 1 SPFC
1969 4 2 0 2 5 6 -1 SEP
1970 5 1 2 2 3 5 -2 SEP
1971 3 2 1 0 4 2 2 SPFC
1972 5 1 4 0 2 0 2 SPFC
1973 4 1 3 0 3 2 1 SPFC
1974 6 2 2 2 6 5 1 SPFC
1975 4 1 3 0 2 1 1 SPFC
1976 5 0 2 3 2 5 -3 SEP
1977 5 2 1 2 8 7 1 SPFC
1978 3 0 3 0 1 1 0 EMPATE
1979 5 3 1 1 5 3 2 SPFC
1980 3 3 0 0 8 0 8 SPFC
1981 3 2 0 1 7 5 2 SPFC
1982 2 0 0 2 1 5 -4 SEP
1983 4 2 2 0 6 4 2 SPFC
1984 4 0 1 3 2 6 -4 SEP
1985 4 1 2 1 10 10 0 EMPATE
1986 4 1 3 0 8 4 4 SPFC
1987 5 1 2 2 4 4 0 SEP
1988 4 2 1 1 6 4 2 SPFC
1989 2 0 2 0 3 3 0 EMPATE
1990 2 0 0 2 1 4 -3 SEP
1991 3 1 2 0 4 2 2 SPFC
1992 5 3 0 2 7 10 -3 SPFC
1993 5 1 2 2 4 5 -1 SEP
1994 5 2 2 1 8 7 1 SPFC
1995 5 1 1 3 2 5 -3 SEP
1996 3 0 0 3 3 7 -4 SEP
1997 4 2 0 2 8 6 2 SPFC
1998 5 3 0 2 8 6 2 SPFC
1999 3 1 2 0 9 5 4 SPFC
2000 6 4 1 1 12 7 5 SPFC
2001 2 1 0 1 3 1 2 SPFC
2002 6 1 4 1 10 10 0 EMPATE
2003 0 0 0 0 0 0 0 EMPATE
2004 2 1 0 1 3 3 0 EMPATE
2005 5 3 1 1 10 5 5 SPFC
2006 5 3 1 1 12 8 4 SPFC
2007 3 2 1 0 4 1 3 SPFC
2008 5 2 1 2 7 10 -3 SEP
2009 3 1 2 0 1 0 1 SPFC
2010 3 2 0 1 3 2 1 SPFC
2011 3 0 2 1 2 3 -1 SEP
2012 3 1 2 0 7 4 3 SPFC
2013 1 0 1 0 0 0 0 EMPATE
2014 3 2 0 1 4 3 1 SPFC
2015 3 0 1 2 1 8 -7 SEP
2016 3 1 0 2 2 4 -2 SEP
2017 3 1 0 2 4 7 -3 SEP

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