SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE

CNPJ/MF nº 60.517.984/0001-04
Fundação: 25 de janeiro de 1930
Apelidos: O Mais Querido, Clube da Fé, SPFC, Tricolor Paulista.
Esquadrão de Aço (30-35), Tigres da Floresta (30-35), Rolo Compressor (38-39, 43-49), Tricolor do Canindé (44-56), Rei da Brasilidade (50-60), Tricolor do Morumbi (60-), Máquina Tricolor (80/81), Tricolaço (80/81), Menudos do Morumbi (85-89), Máquina Mortífera (92/93), Expressinho Tricolor (94), Time de Guerreiros (2005), Soberano (2008), Jason (08-09), Exército da Salvação (2017), O Mais Popular (2023), Campeão de Tudo (2024).
Mascote: São Paulo, o santo.
Lema: Pro São Paulo FC Fiant Eximia (Em prol do São Paulo FC façam o melhor).
Endereço: Pr. Roberto Gomes Pedrosa, 1. Morumbi; São Paulo - SP. CEP: 05653-070.
Site Oficial: www.saopaulofc.net
E-mail: site@saopaulofc.net
Telefone: (55-0xx11) 3749-8000. Fax: 3742-7272.
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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Quando o Pacaembu viu o Santos de Pelé fugir do São Paulo

Texto originalmente publicado em 11 de outubro 2017 no site saopaulofc.net.


Todo são-paulino sabe que os anos 60 foram os mais difíceis em termos de conquistas na história do Tricolor, principalmente pelo esforço hercúleo de se construir e finalizar o Estádio do Morumbi - o maior estádio particular do mundo, à época. Difícil também porque nesse período o Santos, de Pelé e cia., atrapalhava um pouco...

Ainda assim, o Tricolor tem um jogo inesquecível frente ao time que dominou o cenário futebolístico daquela década e que todo torcedor - principalmente os que estiveram no Pacaembu no dia 15 de agosto de 1963 - gosta de lembrar (e também tirar um sarro).

Naquele quinta-feira, a tarde, a expectativa do público era o de um grande clássico. Cinco meses antes, o São Paulo sofrera nas mãos dos rivais a maior goleada já imposta por eles (2 a 6). Agora, os tricolores queriam a desforra. A imprensa, por sua vez, destacava o duelo entre o santista Pelé e o ex-santista e então tricolor Pagão, apregoando que seria um confronto equilibrado. 

O Esporte

Mas o que se viu em campo foi uma supremacia são-paulina: o Tricolor goleou o Santos. Não foi nem a maior goleada já aplicada sobre o rival em todos os tempos (9 a 1 em 1944 é hors concours), ainda assim, deu pro gasto. O resultado provocou uma reação nunca vista contra esse adversário e que jamais voltou a ocorrer: o Santos abandonou o jogo, aliás, não somente: fez cai-cai e fugiu de campo. É o expressamente dito nos jornais da época.

Sem colocar a carroça na frente dos bois, vamos do princípio. 60.115 pessoas foram ao Pacaembu ver o SanSão válido pelo Paulistão de 1963. A casa cheia motivou os tricolores a partir para o ataque e assim, logo aos cinco minutos, Faustino recebeu um passe de Martinez pela direita, cortou para o meio, se livrou de Aparecido e driblou Mauro e Dalmo na entrada da área. Cara a cara com o goleiro, chutou rasteiro sem chance alguma para Gilmar: 1 a 0 para o São Paulo! Que golaço!

A Gazeta Esportiva

Imediatamente após o gol, o Tricolor teve cinco chances para ampliar o placar, mas desperdiçou as oportunidades (parou nas mãos do arqueiro). Dias, naquela altura, era quase como um sexto atacante são-paulino, tabelando com Faustino e Pagão. Apesar desse volume de jogo, aos 21 minutos, o Santos empatou com um gol de peixinho de Pelé. 

O tento rival por pouco tempo desestabilizou o esquema de jogo do Mais Querido e os adversários passaram a incomodar mais no ataque. Porém, o sistema defensivo do Tricolor corrigiu a falha que proporcionou o gol de empate santista (deslocando Jurandir e até Sabino para o lado esquerdo, impedindo novas bolas na área; no direito, Deleu deu conta de Pepe e Pelé não achava espaço).

O Esporte

Assim, em pouco tempo o São Paulo já mandava na partida novamente. Não causou estranheza que, aos 37 minutos, tenha balançado as redes: Pagão, fazendo jus à torcida, roubou a bola do ex são-paulino Mauro na altura do meio do campo e lançou para Benê, que rapidamente tocou de volta para Pagão. Enquanto o atacante ajeitava a pelota, o meia disparou ao ataque, onde recebeu mais uma vez a bola, agora já de frente a Gilmar. Foi só tocar para o fundo do gol: 2 a 1 para o São Paulo! Que tabela!

A maneira como ocorreu o segundo gol do Tricolor deve ter sido um baque daqueles para os jogadores do time praiano, pois, apenas três minutos depois, o São Paulo chegou facilmente ao terceiro gol...

O Esporte

Sabino fintou Aparecido duas vezes (este falhou em cometer a falta nas duas) e passou para Martinez, à frente. O paraguaio do time do Morumbi, como bem ressalta do jornal O Estado de S. Paulo, não estava impedido, pois o zagueiro Mauro estava bem junto ao goleiro Gilmar, dando-lhe condições. Fazendo pivô, Martinez devolveu a bola para Sabino, que invadiu até a pequena área, deixando à poeira a dupla de zaga e o guardião litorâneo, que tentou cometer pênalti e nem isso conseguiu: 3 a 1 São Paulo! Que velocidade!

Os oponentes, após esse tento, reclamaram muito da validação pela arbitragem. O juiz, Armando Marques, então expulsou Coutinho, por tê-lo dito "Todo o jogo você #$!%@#$" (censura minha, expressa em A Gazeta Esportiva). A lenda, porém, diz que o atleta teria atacado a masculinidade do apitador: "Satisfeito, florzinha?". O fato é que a atitude do árbitro causou a explosão e a revolta de Pelé, em seguida: "Ele não está expulso, seu ladrão!". O camisa 10 santista foi o próximo a ver o olho da rua.

A Gazeta Esportiva

Se 11 contra 11, a situação estava feia para o time alvinegro, com dois a menos pintava uma chance do São Paulo relembrar 1944. O 3 a 1, que marcava o fim do primeiro tempo, apesar de bom, não refletia a tremenda superioridade do conjunto tricolor na partida: tinha tudo para ser um vareio daqueles.

Antecipando as possibilidades futuras, muitos no Pacaembu imaginavam que o Santos sequer voltaria para a etapa final. Posteriormente, em A Gazeta Esportiva, o técnico são-paulino Brandão afirmou que o médico do adversário, o Dr. Salerno, havia dito a ele que o time praiano melaria o jogo.

A Gazeta Esportiva

Mas sim, o Santos subiu ao gramado do Pacaembu para a segunda etapa. Porém, com oito jogadores - um a menos que o esperado. Aparecido (misteriosamente) contundiu-se no vestiário - disseram. Vale lembrar que naquela época em jogos de campeonato não eram permitidas substituições.

Foi só bola rolar que começou o cai-cai e revelou-se a trama. Aos três minutos, em uma jogada banal, de encontrão de Bellini com Pepe, este se atira ao chão, praticamente ferido de morte... Agora o Santos tinha sete em campo - o limite para o jogo seguir.

A Gazeta Esportiva

E seguiu, com o Tricolor no ataque, mesmo meio "sem jeito" com tudo o que acontecia. Enfim, era obrigação fazer mais gols, e o fez: Aos cinco minutos, Dias dominou pela direita, viu Pagão avançando pelo meio e lançou primorosamente para o atacante. Ainda na corrida, bateu prontamente para o gol e anotou, sem chance para o goleiro: 4 a 1 São Paulo! Que finalização!

Pena que não deu para mais nada. Na saída de bola, Dorval alardeia contusão após chutar a bola... O cai-cai foi indecente de descarado. Com a atitude dos santistas, com somente seis atletas no relvado, não restou ao árbitro nada mais do que encerrar a partida aos oito minutos do segundo tempo. Só foram disputados 53 dos 90 minutos regulamentares.

A Gazeta Esportiva

O São Paulo não pôde alcançar o recorde de 1944, mas, de todo jeito, a partida entrou para a história como "aquela vez que o time do melhor jogador do mundo de todos os tempos fugiu de campo com medo de sofrer uma goleada implacável do Tricolor".

Depois desse jogo, o time santista, que era campeão mundial, etc. e tal,  desandou de vez e terminou o Campeonato Paulista na terceira colocação, atrás do próprio São Paulo, vice-campeão. Coube ao Mais Querido, ainda, uma conquista que se iniciou imediatamente após essa peleja contra o Santos: A Pequena Copa do Mundo, realizada na Venezuela, onde o Tricolor desbancou o Porto e o Real Madrid, com moral. 

O Esporte


GOL A GOL

A Gazeta Esportiva e O Estado de S. Paulo

FICHA DO JOGO

SÃO PAULO Futebol Clube 4 x 1 Santos Futebol Clube
15/08/1963. Campeonato Paulista
São Paulo (SP), Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho - Pacaembu,

SPFC: Suly; Deleu, Bellini, e Ilzo; Dias e Jurandir; Faustino, Martinez, Pagão, Benê e Sabino. Técnico: Osvaldo Brandão.

SFC: Gilmar; Aparecido, Mauro e Geraldino; Zito e Dalmo; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Faustino, 5/1, Pelé, 21/1, Benê, 37/1, Sabino, 40/1 e Pagão, 5/2
Árbitro: Armando Marques
Expulsões: Pelé e Coutinho
Público: 60.115 pagantes
Renda: CR$ 19.950.000,00

Folha de S. Paulo


segunda-feira, 18 de junho de 2018

23 gols do Tricolor em um único dia

Texto originalmente publicado no dia 8 de outubro de 2017 no site saopaulofc.net.


Foi no estádio do Pacaembu que, há 73 anos, o Tricolor conseguiu a aplicar a maior goleada da história do clube em um clássico. Naquela tarde de 18 de junho de 1944, o São Paulo foi implacável contra o time do Santos, goleando o rival por incríveis 9 a 1!

O público presente ao Municipal para esse Sansão, que valeu pelo Campeonato Paulista daquela temporada, saiu satisfeito não somente por ver os gols da partida principal, mas também por presenciar outra impiedosa goleada são-paulina para cima do time do litoral: 14 a 0 na rodada preliminar, dos aspirantes! Ao todo, o São Paulo marcou 23 gols em cima dos alvinegros praianos em um único dia!


O time são-paulino, antes desse massacre, queria fazer valer a condição de atual campeão do certame e recuperar o bom desempenho no campeonato, onde já havia goleada o SPR por 8 a 2, o Jabaquara por 6 a 2 e a Portuguesa Santista por 7 a 4 – os tricolores vinham de uma vitória mirrada contra o Juventus (1 a 0) de um empate em 3 a 3 com o Palmeiras (quando o Tricolor chegou a vencer por 3 a 1).


Os confrontos

Tudo começou muito bem. No tradicional confronto preliminar, envolvendo os aspirantes das duas equipes, o Expressinho Tricolor passou por cima do oponente com estrondosos 14 gols, anotados por Yeso (6), Teixeirinha (2), Américo (2), Ministro (2), Leopoldo (2). Ou seja, toda a linha de frente do time anotou no mínimo dois tentos no confronto.

Vale ressaltar que essa equipe aspirante do São Paulo foi pentacampeã consecutiva no Estado de São Paulo entre 1943 e 1947.

O profissional, contudo - e talvez pela goleada inicial ter mexido com o brio santista - começou o jogo perdendo. Aos 13 minutos, Soler bateu uma falta com precisão no gol de King. Mas o Tricolor acordou e, aos 20 minutos, com Pardal, empatou a partida após passe de Tim. O jogo seguiu então parelho, até o ataque rival perder um gol incrível, com Ruy, cara a cara com o goleiro. A partir daí só deu São Paulo!


Aos 32 minutos, Alberto pôs a mão na bola: pênalti marcado. Pardal foi lá a bateu certeiro, embaixo de Joãozinho, o defensor da meta santista, anotando o segundo gol dele na partida. Pouco tempo depois, outro passe açucarado de Tim e gol de Remo, aos 37 minutos. E assim encerrou-se a primeira etapa da peleja.

O jogo recomeçou com Tim endiabrado: Aos 4 minutos, ele tabelou com Sastre e disparou em corrida, isolando-se dos adversários e chutando com precisão: 4 a 1 para o São Paulo! Começou a cair então uma chuvinha fina, daquelas chatas, que só deixam gramado e bola escorregadios. Aproveitando-se do fato, Sastre, aos 11 minutos, cruzou a pelota de couro para Luizinho, que, sem receio algum, testou com categoria para o fundo do gol: 5 a 1!

Mas os são-paulinos queriam mais e continuavam pressionando. Acuado, Jaú chutou em falso e perdeu a bola para Tim, que comodamente ampliou o placar, aos 16 minutos. Não perca a conta, já são seis! A categoria e técnica dos tricolores era tanta, que espantava os cronistas da época. O jornal A Gazeta Esportiva, no dia seguinte, registrou: "É tão certa e completa a supremacia tricolor que seu ataque se limita a zombar do adversário com a bola nos pés, fazendo a delícia da torcida. São lances e mais lances embriagadores e todos eficazes que nascem no campo santista".

O Tricolor começou a perder gols a rodo! Remo atingiu uma bola na trave. Tim resolveu driblar, de última hora, o goleiro, e deixou escapar um tento. Já sofrendo em demasia, o santista Ari Silva perdeu o controle e atingiu violentamente Luizinho: o juiz o expulsa de campo. Com um a mais no gramado, não tardou e o São Paulo elevou a contagem. O sétimo gol veio de cobrança de falta de Sastre para Luizinho, que, de cabeça e antecipando-se ao goleiro, novamente balançou as redes, aos 27 do segundo tempo.


A chuva apertou e os refletores foram acessos, mas os tricolores queriam mais. 33 minutos: Pardal avançou até a linha de fundo e cruzou curto para Sastre, que surpreendeu Joãozinho, chegando antes - era o oitavo gol! E, quando quase não havia tempo para mais nada, aos 44 minutos, passe de Sastre para Remo e o placar foi finalizado em 9 a 1! Talvez a torcida são-paulina tenha deixado o Municipal um tanto quanto desgostosa por não ter sido alcançada a dezena, mas nove estava de bom tamanho.


Destino Cruel

O goleiro do Santos nessa goleada, Joãozinho, ficou marcado pelo resultado e deixou a equipe praiana ao final da temporada. Permanecendo em Santos, passou a jogar pelo Jabaquara em 1945 e lá, no dia 8 de julho, sofreu outra avalanche de gols do São Paulo, também no Pacaembu, na maior goleada da história do Tricolor até hoje (junto a outra ocorrida em 1933): 12 a 1.

Vida dura... Estima-se que Joãozinho, em 11 jogos contra o São Paulo (defendendo Comercial da Capital, SPR, Santos e Jabaquara), tenha sofrido nada menos que 52 gols, média de quase 5 a cada jogo.


Ficha do Jogo

18.06.1944 Campeonato Paulista
São Paulo (SP). Estádio Municipal de São Paulo - Pacaembu
SÃO PAULO Futebol Clube 9 x 1 SANTOS Futebol Clube

SPFC: King; Piolim e Florindo; Zezé Procópio, Ruy e Noronha; Luizinho, Antonio Sastre, Tim, Remo e Pardal
Capitão: Luizinho
Técnico: Joreca

Gols: Pardal, 20/1; Pardal (pênalti), 32/1; Remo, 37/1; Tim, 4/2; Luizinho, 11/2; Tim, 16/2; Luizinho, 26/2; Sastre, 33/2; Remo, 44/2

SFC: Joãozinho; Jaú e Gradim; Ari Silva, Soler e Alberto; Cláudio, Fierro, Teleco, Eunápio e Ruy.
Técnico: Ricardo Diez

Gols: Soler (falta), 13/1

Árbitro: Rodolfo Wenzel
Renda: Cr$ 75.367,00

Preliminar

SÃO PAULO Futebol Clube 14 x 0 SANTOS Futebol Clube
Gols: Ieso (6), Teixeirinha (2), Américo (2), Ministro (2), Leopoldo (2)


Fotos: A Gazeta Esportiva

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Três (ou mais) gols marcados em um único SanSão

Somente 12 vezes são-paulinos conseguiram marcar três (ou mais) gols em uma única partida do clássico contra o Santos.

Celeste (3)27/05/1934Camp. PaulistaCh. Floresta3x0
Chemp (4)18/05/1941Camp. PaulistaPacaembu4x2
Pardal (3)02/08/1942Camp. PaulistaV. Belmiro5x1
Leônidas (3)16/05/1943Camp. PaulistaPacaembu6x1
Leônidas (3)09/04/1947AmistosoPacaembu6x1
Augusto (3)19/04/1950AmistosoV. Belmiro4x0
Zezinho (3)09/12/1956Camp. PaulistaV. Belmiro3x1
Serginho (3)03/07/1977Camp. PaulistaPacaembu3x0
Serginho (3)18/10/1981Camp. PaulistaMorumbi3x2
Manu (3)30/03/1986Camp. PaulistaMorumbi3x1
Palhinha (3)03/06/1993Camp. PaulistaMorumbi6x1
França (3)26/01/2000Rio-S. PauloMorumbi5x2

Todos foram vitoriosos. Dessas 12 ocasiões, apenas em uma alguém marcou quatro gols (é a única marca do tipo em todos os clássicos): Chemp, em 1941; ainda que Leônidas e Serginho Chulapa tenham feito três gols em duas oportunidades cada.

Celeste, Chemp, Zezinho, Serginho (2 vezes) e Manu conseguiram ser os únicos responsáveis por uma vitória sobre o Santos, marcando no mínimo e todos os três gols do Tricolor.

A última vez que um são-paulino marcou três gols num jogo contra o Santos: França, 2000.


sábado, 4 de novembro de 2017

A maior série invicta no SanSão

A maior série invicta da história do SanSão é do Tricolor e por larga vantagem. Entre 1940 e 1948, quase uma década, o São Paulo permaneceu sem perder para o Santos. Incríveis 21 jogos. E com goleadas históricas: 9 a 1 e três 6 a 1!

PLACAR TORNEIO LOCAL DATA
6 x 1 Paulista Pacaembu 15/12/1940
4 x 2 Paulista Pacaembu 18/05/1941
3 x 3 Paulista V. Belmiro 14/09/1941
4 x 2 Paulista Pacaembu 31/05/1942
5 x 1 Paulista V. Belmiro 02/08/1942
2 x 0 Amistoso Pacaembu 24/01/1943
2 x 1 Amistoso V. Belmiro 17/02/1943
6 x 1 Paulista Pacaembu 16/05/1943
4 x 1 Paulista V. Belmiro 12/09/1943
9 x 1 Paulista Pacaembu 18/06/1944
1 x 0 Paulista V. Belmiro 06/08/1944
2 x 1 Amistoso Pacaembu 21/10/1944
2 x 1 Amistoso V. Belmiro 25/10/1944
1 x 1 Paulista V. Belmiro 13/05/1945
4 x 0 Paulista Pacaembu 19/08/1945
3 x 2 Paulista V. Belmiro 14/07/1946
2 x 0 Paulista Pacaembu 31/08/1946
6 x 1 Amistoso Pacaembu 09/04/1947
1 x 1 Paulista Pacaembu 27/07/1947
1 x 1 Paulista V. Belmiro 28/09/1947
3 x 2 Paulista Pacaembu 05/09/1948

A melhor marca do time praiano é de 13 jogos na Era Pelé e mesmo esta sequência é inferior a outras duas do São Paulo (as duas de 14 jogos invictos, a primeira no início dos anos 30 e a segunda nos anos 80).

PLACAR TORNEIO LOCAL DATA
1 x 1 Robertão Pacaembu 01/04/1967
0 x 0 Paulista V. Belmiro 16/08/1967
2 x 2 Paulista Morumbi 15/10/1967
1 x 2 Paulista Pacaembu 21/12/1967
2 x 5 Paulista Morumbi 27/03/1968
1 x 3 Paulista V. Belmiro 01/06/1968
0 x 0 Robertão Morumbi 20/10/1968
0 x 3 Paulista Morumbi 09/03/1969
0 x 1 Paulista V. Belmiro 21/05/1969
0 x 0 Paulista Morumbi 21/06/1969
1 x 1 Robertão Morumbi 09/11/1969
0 x 4 Taça SP V. Belmiro 21/03/1970
1 x 2 Taça SP P.Antarctica 15/04/1970

domingo, 29 de outubro de 2017

Saídas de técnicos após clássicos

Relação de treinadores demitidos ou que renunciaram logo após um clássico. 

Não são considerados técnicos cujos contratos estavam por terminar. Também não foram levadas em conta partidas de final de temporada, onde a renovação do trabalho era opcional e que a não continuação do treinador nada teve a ver com o clássico (contudo, quando o contexto do jogo deixa claro que a partida influenciou a decisão, como na decisão do Paulista de 1957 ou outras decisões de título, foi levado em conta - vide notas). 

Técnicos do Corinthians (14)

- Joseph Tiger (1944), após 0x4 São Paulo: 15/10/1944, Paulista;
- Alcides Aguiar (1946), após São Paulo 5x1: 01/01/1946, Amistoso;
- Rato (1954), após São Paulo 1x0: 03/07/1954, RJ-SP;
- Osvaldo Brandão (1957), após São Paulo 3x1: 29/12/1957, Paulista;
- João Lima (1961), após São Paulo 3x2: 22/03/1961, RJ-SP;
- Dino Sani (1970), após 0x1 São Paulo: 13/09/1970, Paulista;
- Dino Sani (1975), após São Paulo 2x1: 10/08/1975, Paulista;
- Julinho (1981), após 0x2 São Paulo: 25/10/1981, Paulista;
- Júnior (2003), após São Paulo 3x0: 12/10/2003, Brasileiro;
- Juninho Fonseca (2004), após São Paulo 1x0: 15/02/2004, Paulista;
- Tite (2005), após São Paulo 1x0: 27/02/2005, Paulista;
- Daniel Passarella (2005), após 1x5 São Paulo: 08/05/2005, Brasileiro;
- Antônio Lopes (2006), após 1x2 São Paulo: 12/03/2006, Paulista;
- Adhemar Braga (2006), após 1x3 São Paulo: 07/05/2006, Brasileiro.

Técnicos do Palmeiras (5)

- Cláudio Cardoso (1948), após São Paulo 2x1: 15/08/1948, Paulista;
- Ondino Vieira (1953), após São Paulo 3x1: 13/09/1953, Paulista;
- Mário Travaglini (1968), após 1x2 São Paulo: 14/03/1968, Paulista;
- Márcio Araújo (1997), após São Paulo 4x1: 25/05/1997, Paulista;
- Luís Felipe Scolari (2000), após 2x3 São Paulo: 27/06/2000, Copa do Brasil.

Técnicos do Santos (7)

- Aymoré Moreira (1952), após 0x3 São Paulo: 25/10/1952, Paulista;
- Giuseppe Ottina (1954), após São Paulo 2x1: 02/06/1954, RJ-SP;
- Urubatão Nunes (1977), após São Paulo 2x0: 01/05/1977, Paulista;
- Pepe (1980), após 0x1 São Paulo: 19/11/1980, Paulista;
- Candinho (1987), após São Paulo 3x1: 24/10/1987, Brasileiro;
- Evaristo de Macedo (1993), após São Paulo 6x1: 03/06/1993, Paulista;
- Levir Culpi (2017), após São Paulo 2x1: 28/10/2017, Brasileiro.

Técnicos do São Paulo após Majestoso (3)

- Ramón Platero (1940), após Corinthians 3x0: 22/12/1940, Paulista;
- Nelsinho Baptista (2002), após 1x1 Corinthians: 12/05/2002, RJ-SP;
- Ney Franco (2013), após 1x2 Corinthians: 03/07/2013, Recopa.

Técnicos do São Paulo após Choque-Rei (3)

- Vicente Feola (1951), após 0x2 Palmeiras: 18/02/1951, RJ-SP;
- Aymoré Moreira (1966), após 0x3 Palmeiras: 15/12/1966, Paulista;
- Alfredo Ramos (1972), após 0x0 Palmeiras: 03/09/1972, Paulista.

Técnicos do São Paulo após SanSão (1)

- Sylvio Pirillo (1968), após Santos 3x1: 01/06/1968, Paulista;



Notas

São Paulo: Somente Nelsinho e Ney Franco foram demitidos, todos os demais pediram demissão. Platero, nesse aspecto, é indefinido. 

Contra o Corinthians: Platero (1940), apesar de ter sido em jogo de final de temporada e não ter o contrato renovado por isso, pelo resultado expressivo, foi considerado. Já Carlos Alberto Silva (1990), no empate em 0 a 0, não seguiu pois acabou o contrato e já estava certo não ser renovado. Rubens Salles saiu do São Paulo após ser campeão contra o Corinthians, em 1932. Clodô comandou o time pela última vez no Majestoso, mas não seguiu pelo interrupção das atividades do Tricolor em 1935. Feola foi vice-campeão paulista de 1938, em 1939, mas o resultado foi considerado ótimo e a não sequência dele no cargo não é relacionada com a partida (foi realocado). Em 29 de outubro de 1939, o comando técnico de Décio Pedroso/Ponzoníbio era interino e não é válido.

Contra o Palmeiras: Feola, em 1951, não foi demitido nem pediu demissão: foi realocado em outro cargo. O mesmo ocorreu com esse treinador após jogo contra o Santos (1957), mas dessa vez por motivo de participação dele na Seleção Brasileira. Aymoré Moreira estava em final de temporada, mas o resultado da partida influenciou a decisão de pedir demissão. Levir Culpi, em 2000, foi dispensado pouco antes de ter o contrato finalizado, no fim do ano: a saída não foi relacionada ao clássico. 

Contra o Santos: Pepe, em 21/04/1987, alegou cansaço para deixar o time após o jogo Santos 3 x 2 São Paulo, do dia 19. O técnico, dois meses antes, foi campeão brasileiro e tinha muitos, muitos créditos. O resultado do jogo nada teve a ver com a saída dele do comando. 

Corinthians: A demissão de Juninho Fonseca em 2004 foi no clássico imediatamente seguinte a demissão de Junior, em 2003. O mesmo se deu com Tite e Passarela, em 2005; e Antônio Lopes e Adhemar Braga, em 2006. Brandão (1957) estava no final de temporada, mas a maneira como perdeu o título é entendida como decisiva para a não continuação dele. Cilinho (1991) ainda permaneceu no clube após a decisão do Paulistão daquele ano.

Palmeiras: Existem dúvidas sobre Bianco (1931), após a goleada do São Paulo por 4 a 0, na Floresta, pelo Paulista em 06/12; e Del Debbio (1945), após um empate no Pacaembu em 23/09, pelo Paulista. Não encontrei confirmação. Hélio Maffia (1977) era interino. 

Santos: Clodoaldo, técnico do Santos em 1982, pediu demissão antes do SanSão de 2 de maio, em que o Tricolor venceu por 1 a 0. A saída de Pepe em 1980 foi diretamente ligada com a perda do título do Paulista de 1980, conforme O Estado de S. Paulo de 21 de novembro. Contudo, a saída dele em 1990 não é enquadrada como válida (fim de temporada, não renovação e saída semanas após a partida). Serginho Chulapa, em 2009, era interino. 



SanSão ano a ano

São Paulo melhor em 52 anos

1931, 1932, 1933, 1934, 1935, 1938, 1940, 1941, 1942, 1943, 1944, 1945, 1946, 1947, 1950, 1952,
1953, 1954, 1957, 1960, 1965, 1966, 1972, 1974, 1975, 1977, 1980, 1981, 1982, 1983, 1984, 1985,
1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, 2000, 2001, 2006, 2007, 2008,
2009, 2012, 2014, 2017

Santos melhor em 31 anos

1936; 1937; 1949; 1951; 1955; 1956; 1958; 1959; 1961; 1962; 1963; 1964; 1967; 1968; 1969; 1970;
1971; 1973; 1976; 1978; 1979; 1991; 2002; 2003; 2004; 2005; 2010; 2011; 2013, 2015, 2016

Empate: 5 anos

1930, 1939, 1948, 1995 e 1999

ANO JGS VIT EMP DER GM GS SG MELHOR
1930 2 0 2 0 5 5 0 EMPATE
1931 2 1 1 0 6 4 2 SPFC
1932 1 1 0 0 4 0 4 SPFC
1933 3 3 0 0 15 4 11 SPFC
1934 5 4 1 0 14 7 7 SPFC
1935 1 1 0 0 2 1 1 SPFC
1936 2 0 0 2 0 6 -6 SFC
1937 3 0 0 3 4 10 -6 SFC
1938 1 1 0 0 5 0 5 SPFC
1939 2 1 0 1 3 3 0 EMPATE
1940 2 1 0 1 7 6 1 SPFC
1941 2 1 1 0 7 5 2 SPFC
1942 2 2 0 0 9 3 6 SPFC
1943 4 4 0 0 14 3 11 SPFC
1944 4 4 0 0 14 3 11 SPFC
1945 2 1 1 0 5 1 4 SPFC
1946 2 2 0 0 5 2 3 SPFC
1947 3 1 2 0 8 3 5 SPFC
1948 2 1 0 1 4 4 0 EMPATE
1949 3 1 0 2 3 4 -1 SFC
1950 2 1 0 1 6 3 3 SPFC
1951 4 1 0 3 4 8 -4 SFC
1952 5 3 0 2 7 3 4 SPFC
1953 4 3 1 0 7 1 6 SPFC
1954 4 3 1 0 8 3 5 SPFC
1955 3 1 0 2 4 6 -2 SFC
1956 7 2 0 5 13 20 -7 SFC
1957 5 2 1 2 14 13 1 SPFC
1958 4 1 1 2 7 7 0 SFC
1959 4 1 0 3 9 13 -4 SFC
1960 3 1 2 0 4 3 1 SPFC
1961 3 0 0 3 4 11 -7 SFC
1962 2 0 1 1 5 8 -3 SFC
1963 3 1 1 1 7 8 -1 SFC
1964 3 0 0 3 4 12 -8 SFC
1965 3 1 2 0 4 2 2 SPFC
1966 3 2 0 1 5 4 1 SPFC
1967 4 0 3 1 4 5 -1 SFC
1968 3 0 1 2 3 8 -5 SFC
1969 4 0 2 2 1 5 -4 SFC
1970 5 2 0 3 9 13 -4 SFC
1971 3 0 1 2 1 4 -3 SFC
1972 3 2 0 1 5 2 3 SPFC
1973 4 0 3 1 3 4 -1 SFC
1974 4 1 3 0 5 4 1 SPFC
1975 4 3 0 1 5 2 3 SPFC
1976 5 1 2 2 5 6 -1 SFC
1977 3 3 0 0 7 0 7 SPFC
1978 2 0 1 1 1 3 -2 SFC
1979 7 3 1 3 8 11 -3 SFC
1980 4 2 2 0 5 3 2 SPFC
1981 4 4 0 0 10 3 7 SPFC
1982 5 3 2 0 5 1 4 SPFC
1983 4 2 1 1 7 4 3 SPFC
1984 2 1 1 0 4 1 3 SPFC
1985 2 1 1 0 4 1 3 SPFC
1986 5 3 1 1 7 3 4 SPFC
1987 3 2 0 1 6 4 2 SPFC
1988 4 2 1 1 4 4 0 SPFC
1989 2 1 0 1 4 2 2 SPFC
1990 4 2 1 1 3 2 1 SPFC
1991 1 0 0 1 1 2 -1 SFC
1992 9 4 4 1 15 8 7 SPFC
1993 4 2 0 2 9 5 4 SPFC
1994 3 2 1 0 5 2 3 SPFC
1995 5 1 3 1 3 3 0 EMPATE
1996 4 3 1 0 7 4 3 SPFC
1997 5 2 2 1 8 5 3 SPFC
1998 5 2 2 1 8 8 0 SPFC
1999 2 1 0 1 4 4 0 EMPATE
2000 7 3 3 1 12 8 4 SPFC
2001 2 1 0 1 4 3 1 SPFC
2002 4 1 0 3 7 10 -3 SFC
2003 3 1 0 2 5 6 -1 SFC
2004 4 1 1 2 3 4 -1 SFC
2005 3 0 1 2 2 4 -2 SFC
2006 3 2 0 1 4 5 -1 SPFC
2007 3 2 1 0 5 2 3 SPFC
2008 3 1 2 0 3 2 1 SPFC
2009 3 2 0 1 6 5 1 SPFC
2010 5 1 0 4 7 12 -5 SFC
2011 4 1 1 2 5 6 -1 SFC
2012 4 2 1 1 5 5 0 SPFC
2013 3 0 0 3 1 8 -7 SFC
2014 3 2 1 0 3 1 2 SPFC
2015 6 1 1 4 6 13 -7 SFC
2016 3 0 1 2 1 5 -4 SFC
2017 3 2 0 1 7 5 2 SPFC

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A pescaria está ótima


Do jornal Folha de S. Paulo de 28 de outubro de 1985

Talvez tenha conhecido essa preciosidade através do Alexandre Giesbrecht. Se sim, ele pode confirmar (esse é o problema de ter coisas há seculos guardadas aqui e não ter catalogado/publicado no site com a fonte - pra isso, esse blog me é muito útil). 

A reportagem é um relato sobre a partida em que o São Paulo venceu o Santos por 3 a 0 no Morumbi pelo Campeonato Paulista, com gols de Careca (cabeça), aos 12 minutos do 1º tempo e aos 20 minutos do 2º tempo; Serginho, pelo Santos, marcou contra e fechou o placar para o Tricolor, aos 23 minutos da etapa final.

Tudo isso me lembrou essa foto, de janeiro de 2012, já clássica:

saopaulofc.net

terça-feira, 12 de março de 2013

80 anos de profissionalismo


O profissionalismo, adotado em 1933, teve a honra de ser inaugurado oficialmente no futebol brasileiro em uma partida do São Paulo. O primeiro jogo dessa nova era ocorreu em 12 de março de 1933 e não podia deixar de ser uma goleada, para ficar bonito na história: 5 X 1 sobre o Santos, lá na Vila Belmiro.

A história do profissionalismo no Brasil se mistura com a história do próprio São Paulo Futebol Clube. O Tricolor nasceu da união de dissidentes e jogadores da AA das Palmeiras e do CA Paulistano, fiel defensor do amadorismo. Com a decisão desse último em abandonar o futebol quando a liga por ele fundada e defendida foi extinta (LAF, 1929), os sócios e dirigentes ao esporte vinculados procuraram o clube da região da Chácara da Floresta (AA das Palmeiras) para dar origem a uma nova agremiação que representasse a cidade e o estado no contexto futebolístico nacional.

Não bastasse isso, a própria reorganização do clube, em 1935, também decorreu da disputa que envolvia o profissionalismo nos conturbados anos 30, o famoso caso da cissão das ligas. Tudo começou em 1934, ano de Copa do Mundo. De um lado a APEA e a FBF, profissionais (nas quais o São Paulo era filiado) e do outro a CBD, amadora. A FIFA somente reconhecia a CBD como entidade oficial e somente jogadores filiados a ela poderiam disputar a Copa do Mundo. Por sua vez a APEA, FBF e o São Paulo não liberariam os atletas dessas entidades (Luizinho, Armandinho, Waldemar de Brito e Sylvio Hoffmann, do Tricolor, haviam sido "convocados" pela CBD).

Entretanto, apesar de todo o movimento político, os atletas foram "contrabandeados" pela CBD e viajaram para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Desde então, o São Paulo viu-se ilhado politicamente. Outros clubes da cidade, que antes também esconderam jogadores para escapar à essa convocatória, com o tempo trocaram de lado e, assediados pela CBD com vantajosos amistosos internacionais - que somente a CBD poderia proporcionar - fundaram uma nova liga no Estado de São Paulo, esta agora filiada diretamente a CBD, que também resolveu adotar o profissionalismo, tardiamente.

A CBD, desde o caso de 1934, não era bem vista por muitos dentro do São Paulo principalmente pelo fato de que graças a perda de atletas (foram os únicos paulistas naquela seleção) é que o time não foi campeão paulista naquele ano, em que somente foi derrotado uma única vez, justamente para o time que se tornaria campeão, que havia escondido jogadores em uma fazenda no interior e que meses depois encabecearia a fundação da liga rival.

A confiança do São Paulo no título de 1934 não era injustificada. Analisando os números do Tricolor no decorrer do ano de 1933 (com os principais selecionáveis escalados) isso se torna visível: o clube havia sido vice-campeão Paulista e também vice-campeão do do primeiro torneio Rio-São Paulo, então chamado de Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional (este não unificaram ainda), deixando para a posteridade a melhor média de gols da história do clube (3,74gols por jogo) e as 19 goleadas aplicadas em 34 jogos, a saber:

6 X 1, 4 X 2 e 4 X 2 no Corinthians;
6 X 2, 5 X 1 e 4 X 1 no Santos;
5 X 1 no Vasco da Gama;
7 X 3 no Flamengo;
7 X 4 no América-RJ;
4 X 1 no Bangu;
5 X 2 e 3 X 0 no Fluminense;
7 X 1 e 4 X 1 no Ypiranga;
5 X 0 no São Bento;
7 X 1 e 12 X 1 no Sírio;
4 X 0 na Esportiva São José;
5 X 2 no Sãomanoelense.

Cabe, por fim, lembrar que no regime profissional o São Paulo Futebol Clube é o maior vencedor do futebol brasileiro. Maior campeão paulista, com 20 títulos (ao lado do Santos), maior campeão brasileiro (desde 1971) e clube com mais conquistas internacionais.

12.03.1933
Amistoso Nacional
Santos (SP) Estádio da Vila Belmiro
SANTOS Futebol Clube (SP) 1 X 5 SÃO PAULO Futebol Clube (SP)

SPFC: Moreno; Sylvio Hoffmann e Iracino; Ferreira, Zarzur e Orozimbo (Raffa); Patrício, Waldemar de Brito, Friedenreich, Araken Patusca/capitão e Hércules. Técnico: Clodoaldo Caldeira (Clodô)

Gols: Friedenreich, 11/1; Araken Patusca, 39/1; Waldemar de Brito, 12/2; Waldemar de Brito, 20/2; Araken Patusca, 37/2

SFC: Athiê; Meira e Garcia; Waldomiro, Bisoca e Alfredo (Dino); David, Armandinho (Victor), Catitu (Strauss), Mário Seixas e Logú

Gols: Logú, 3/2

Árbitro: Antônio Sotero de Mendonça
Renda: 14:196$000

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Taça Santos: uma competição esquisita

Você alguma vez já viu por ai um campeonato em que um time joga somente uma vez, fora de casa, vence os anfitriões, e não é declarado o campeão? Mas sim vice? (!)

Esse torneio existiu: A Taça Santos. Fruto da criatividade do Santos Futebol Clube que, em meados de 1952, resolveu promover uma série de embates contra os clubes grandes da capital (São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Portuguesa.

A genialidade surge quando tomamos a tabela em mãos: Os clubes não jogariam entre si, mas sim, todos contra o Santos (mas hein?), em fins de semanas consecutivos. E assim ocorreu...

24/07/1952 Santos FC 2 x 0 A Portuguesa D;
30/07/1952 Santos FC 0 x 1 São Paulo FC;
10/08/1952 Santos FC 3 x 3 SC Corinthians P;
17/08/1952 Santos FC 0 x 0 SE Palmeiras.

Se estão se perguntando como, afinal de contas, declararam o campeão... Sim, é isso mesmo. O promotor do evento foi declarado campeão por ter vencido a Portuguesa por um gol a mais que a derrota que o São Paulo impôs a ele.

Um regulamento digno de anetoda portuguesa, e não praiana...

Bastou vencer bem a ''Lusinha'' e segurar o resultado contra os demais. Digamos que este foi o primeiro vice-campeonato invicto do São Paulo em sua história e com 100% de aproveitamento.

Fica ai a ficha do jogo:

30.07.1952 Taça Santos Futebol Clube
Santos (SP) Estádio Urbano Caldeira - Vila Belmiro
SANTOS Futebol Clube (SP) 0 X 1 SÃO PAULO Futebol Clube (SP)

Escalação: Bertolucci; De Sordi e Mauro; Pé de Valsa, Ruy e Alfredo Ramos; Alcino, Gustavo Albella, Durval, Nicolás Moreno (Nenê) e Maurinho. Técnico: Vicente Feola

Gols: Alcino
Árbitro: Luís Cherubim da Silva Torres
Não houve jogador do SPFC expulso nessa partida
Renda: CR$136.460,00
Público: Desconhecido

Fontes: Almanaques do São Paulo, Corinthians e Palmeiras.
Blog História do Futebol, por Guilherme Nascimento.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

São Paulo x Santos

x
(dados de 1930 até fim de 2008).



Dados Gerais

Geral: | 271 J | 121 V | 66 E | 84 D | 471 GP | 382 GC |

Mandante: | 104 J | 62 V | 22 E | 20 D | 207 GP | 117 GC |
Visitante: | 160 J | 57 V | 42 E | 61 D | 257 GP | 259 GC |
Neutro: | 7 J | 2 V | 2 E | 3 D | 7 GP | 6 GC |



Dados por Estádio

Vila Belmiro: (91 J; 32 V, 21 E, 38 D; 144 GP, 154 GC)
Morumbi: (88 J; 42 V, 26 E, 20 D; 134 GP, 103 GC)
Pacaembu: (71 J; 38 V, 12 E, 21 D; 151 GP, 102 GC)

Chácara da Floresta: (5 J; 5 V, 0 E, 0 D; 19 GP, 5 GC)
Parque Antárctica: (4 J; 1 V, 2 E, 1 D; 9 GP, 9 GC)
Parque do Sabiá: (2 J; 0 V, 1 E, 1 D; 1 GP, 2 GC)
Antônio Alonso: (2 J; 1 V, 0 E, 1 D; 5 GP, 1 GC)

Eduardo José Farah "Prudentão": (1 J; 0 V, 1 E, 0 D; 1 GP, 1 GC)
Santa Cruz: (1 J; 0 V, 1 E, 0 D; 1 GP, 1 GC)
Wilson de Barros: (1 J; 0 V, 1 E, 0 D; 0 GP, 0 GC)
José Fragalli "Verdão": (1 J; 0 V, 1 E, 0 D; 1 GP, 1 GC)
Barão de Serra Negra: (1 J; 1 V, 0 E, 0 D; 1 GP, 0 GC)
Riazor: (1 J; 0 V, 0 E, 1 D; 0 GP, 1 GC)
Nhozinho Santos: (1 J; 0 V, 0 E, 1 D; 1 GP, 2 GC)
Pedro Pedrossian "Morenão": (1 J; 1 V, 0 E, 0 D; 3 GP, 0 GC)

Dados por Competição

Amistoso: (24 J; 14 V, 2 E, 8 D; 48 GM, 38 GS)
Paulista: (161 J; 74 V, 45 E, 42 D; 303 GM, 223 GS)
Brasileiro: (43 J; 18 V, 8 E, 17 D; 52 GM, 51 GS)
Sulamericana: (2 J; 0 V, 1 E, 1 D; 1 GM, 2 GS)
Supercopa: (2 J; 1 V, 1 E, 0 D; 5 GM, 2 GS)
Rio-São Paulo: (20 J; 9 V, 3 E, 8 D; 43 GM, 39 GS)
Robertão: (4 J; 0 V, 3 E, 1 D; 4 GM, 5 GS)
Torn. Amistosos (17 J; 7 V, 3 E, 7 D; 25 GM, 25 GS)

Dados de Cidades

São Paulo: 170 jogos.
Santos: 91 jogos.
Uberlândia: 2 jogos.
Outras Cidades (Cuiabá, Mogi Mirim, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Piracicaba, La Coruña, São Luís e Campo Grande): 1 jogo.

Quadro de Artilharia pelo SPFC

21 gols
Serginho.
17 gols
Luizinho.
12 gols
Leônidas, Remo.
10 gols
Gino Orlando, Teixeirinha.
9 gols
Araken Patusca, Friedenreich.
8 gols
França, Maurinho, Roberto Dias, Waldemar de Brito.
7 gols
Armandinho, Müller, Pardal, Zezinho.
6 gols
Canhoteiro, Dodô, Palhinha, Pedro Rocha, Terto.
5 gols
Antonio Sastre, Luís Fabiano, Raí.
4 gols
Amaury, Babá, Benê, Eugênio Chemp, Pita, Renato (anos 80), Toninho Guerreiro, Zé Sérgio, Zizinho.
3 gols
Almir (anos 90), Augusto, Cafu, Careca, Celeste, Dino Sani, Elyseo, Friaça, Lanzoninho, Manu, Neca, Neco, Nicolas Moreno, Paulo César, Rogério Ceni, Rúben Barrios, Turcão.

Outros Dados

Técnico mais presente: Vicente Feola, 34 partidas (14 V, 2 E, 18 D; 65 GP, 68 GC)
Juíz que mais apitou: Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques, 16 partidas.
Somatório dos Públicos Conhecidos: 3.869.665 em 151 jogos com estes dados.
Média dos Públicos Conhecidos: 25.627 pessoas.

Somatório dos Públicos, mandante: 1.962.639 pessoas em 65 jogos conhecidos
Somatório dos Públicos, visitante: 1.884.841 pessoas em 82 jogos conhecidos.
Somatório dos Públicos, neutro: 22.185 pessoas em 4 jogos conhecidos.

Média dos Públicos, mandante: 30.194 pessoas.
Média dos Públicos, visitante: 22.986 pessoas.
Média dos Públicos, neutro: 5.546 pessoas.

Maior Artilheiro do SPFC em um único jogo: Eugênio Chemp, 4 gols (18/05/41).
Maior Goleada do SPFC: Paulista, 18/6/1944 - SPFC 9 x 1 SFC.
Maior Goleada Sofrida: Rio-São Paulo, 7/3/1963 - SFC 6 x 2 SPFC.
Maior Público Registrado: Paulista, 16/11/1980 - 122.209 pessoas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

São Paulo 23 x 1 Santos

O dia 18 de junho de 1944 foi especial. Nunca o Estádio Municipal do Pacaembu presenciou tantos gols. Mas calma, São Paulo 23 x 1 Santos foi o placar geral, somadas as duas partidas que ocorreram naquele dia entre as duas equipes - aspirante e principal.


Rodada dupla pelo Campeonato Paulista. Na categoria inferior, a equipe Tricolor não teve dó e sacudiu um 14 x 0 contra o time da baixada santista. Só Yeso (grafado como à época), que fez sucesso no futebol frânces, posteriormente, marcou seis vezes.

O plantel principal se poupou e o resultado não chegou a casa decimal. 9 a 1 - detalhe: foi de virada.

Segue-se abaixo o relato de Conrado Giacomini, em Dentre os Grandes, És o Primeiro, sobre essa goleada.

A maior goleada do clássico San-São

... E os jornais acreditavam que, mesmo ostentando uma equipe bem mais modesta que a nossa, o alvinegro pudesse surpreender o tricolor. O jogo estava marcado para o Pacaembu, num frio e nublado domingo - a temperatura era de aproximadamente 14°C -, enfim, uma típica tarde de inverno paulistana. Mesmo assim o público foi bom, estimado em trinta mil pessoas (não houve divulgação oficial do público pagante). Na partida preliminar, entre os aspirantes de São Paulo e Santos, um resultado simplesmente inacreditável: São Paulo 14, Santos 0. Sim, 14 x 0 para o tricolor! Só o centroavante Ieso Amalfi, posteriormente um dos primeiros jogadores a jogar no futebol europeu, marcou por seis vezes! Seria um prenúncio de outro massacre são-paulino?

Jogando com maior desenvoltura e produzindo diversas chances, o Santos abriu o marcados aos 11 minutos, através de Solar, e continuou a atacar o São Paulo de modo desenfreado, querendo a todo custo liquidar a fatura o quanto antes. Contudo, ao deixar enormes buracos na sua intermediária, o Peixe se tornou uma presa fácil ao rápido contra-ataque tricolor. Aos 27, Pardal, mesmo acompanhado de perto por seus marcadores, finaliza para a meta, 1x1. O tento de empate desmantela o alvinegro, que, nervoso, não consegue impedir o maior volume de jogo apresentado pelo São Paulo. Aos 38, pênalti para o São Paulo. Pardal cobra e vira o jogo, 2x1. Quatro minutos depois, Remo recebe, avança e chuta, sem dificuldade, para fazer 3x1. Vem o segundo tempo e, logo aos 3 minutos, Tim sai livre na boca da meta e marca, inapelável, 4x1. Neste momento o céu nublado cede lugar à chuva, que desaba sobre o Estádio Municipal tornando o gramado escorregadio. Aos 11, Luizinho, no centro da área, cabeceia e marca o quinto gol. Seis minutos mais tarde, Jaú falha ao não cortar cruzamento e Tim não se faz de rogado, 6x1. Nesse momento, os jogadores tricolores brindam a platéia com uma sucessão de passes e lances de efeito que leva aos santistas à loucura. O espetáculo continua, o São Paulo põe o adversário na roda. Descontrolado, o Santos perde Ari Silva, expulso depois de dar um pontapé em Luizinho. Em outra falta cometida pelo time santista, aos 27, Luizinho se antecipa a Joãozinho e cabeceia para o funo das redes, 7x1. A chuva cessa, o tempo escurece na capital paulista e acendem-se os refletores. Só o São Paulo não pára. Aos 37, Pardal cruza para Sastre marcar o oitavo gol. A três minutos do fim do jogo, Remo se aproxima da boca da meta e marca o nono gol.

Placar final: São Paulo 9, Santos 1, o mais dilatado marcador da história dos confrontos entre São Paulo e Santos, clássico este que, em 1956, foi apelidado de San-São por Thomaz Mazzoni.


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Cai-cai em SanSão

Photobucket

Aqui uma coletânea de registros sobre o fatídico dia em que o Santos de Pelé preferiu fazer "cai-cai" frente ao Tricolor em goleada exemplar.

Como entrada:

A goleada em cima do Santos de Pelé em 1963

Revista Lance! Especial: Série Grandes Clube - São Paulo (1999).

Entre tantos fracassos, uma vitória é lembrada com carinho pelos torcedores são-paulinos: a goleada sobre o Santos por 4 a 1 no dia 15 de agosto de 1963. O jogo ficou conhecido [como] a partida do "cai-cai" santista.

A confusão toda começou aos 40 minutos do primeiro tempo. O São Paulo vencia por 2 a 1 e o juiz Armando Marques validou o terceiro gol tricolor, feito por Sabino. Pelé e Coutinho foram reclamar e acabaram expulsos pelo árbitro da partida. O jogo ficou paralisado por alguns minutos. No segundo tempo, Pagão, ex-atacante do Santos, marcou o quarto gol. Outros três jogadores deixaram o campo alegando contusão: Aparecido, Pepe e Dorval. Como o Santos tinha apenas seis jogadores em campo, um a menos que o mínimo permitido, não restou nada a Armando Marques, a não ser decretar o final da partida e a vitória são-paulina.

O grande destaque da partida foi o atacante Pagão.

- Eu sabia que ele era bom no Santos, mas o Pagão provou ser melhor do que eu esperava jogando ao lado dele - disse anos depois Roberto Dias, zagueiro e volante e um dos maiores nomes do São Paulo em todos os tempos. - Foi um dia inesquecível. Nós pedíamos para o Santos parar com o cai-cai e voltar ao campo e jogar bola, mas eles não queriam nem saber e fugiram da partida - recorda-se Dias, deliciado.

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Como prato principal:

O dia em que o Tricolor enxotou o todo-poderoso Santos de campo

Livro Dentre os Grandes, És o Primeiro; de Conrado Giacomini (2005).

[...] A expectativa era de goleada. Para os santistas. Afinal, era o auge do time do Rei Pelé: a este altura, agosto de 1963, eles eram os atuais tricampeões paulistas, bicampeões da Taça Brasil, campeões do Torneio Rio-São Paulo, da Libertadores da América e do Mundial Interclubes. Como se tudo isso fosse pouco, a lembrança do último jogo entre Santos e São Paulo estava bem viva na memória de jogadores e torcedores de ambos os times. Pelo Rio-São Paulo, cinco meses antes, o alvinegro praiano arrasou o tricolor paulista por 6 x 2, a maior goleada que o Peixe nos impôs em toda a história do clássico. O jogo estava previsto para o Pacaembu, numa quinta-feira à tarde. A data e o horário, incomuns para um clássico dessa proporção, não afugentou o público. Pelo contrário. Sessenta mil pagantes se acotovelaram no estádio municipal para presenciar o espetáculo. Os santistas, confiantes, queredo uma goleada ainda maior. Os são-paulinos, temerosos, esperando que o time pelos menos honrasse a camisa, independentemente do placar final, foram para a batalha.

Aos 5 minutos, Faustino recebe de Cecílio Martinez, penetra da direita para o meio, passa por dois zagueiros, se aproxima da entrada da área e chuta rasteiro, no canto de Gilmar, uma pintura: 1 x 0 São Paulo. Aos 21, após cruzamento de Dorval, Pelé sobe mais alto que a zaga e empata de cabeça, 1 x 1. O jogo fica equilibrado até os 37 minutos, quando Pagão inicia uma linda e envolvente tabela com Benê, que, livre diante do goleiro, toca para as redes, 2 x 1. Três minutos depois, Sabino recebe passe de Martinez e finaliza, 3 x 1. Começa a confusão: é que o árbitro Armando Marques havia validado o gol do São Paulo mesmo com o bandeirinha tendo assinalado impedimento. Os santistas o cercam e protestam contra a validação do gol. Até aí tudo bem. Só que Coutinho, não satisfeito em reclamar, provoca Armando, insinuando uma suposta homossexualidade do apitador (satisfeito, florzinha?, que teria dito o inseparável consorte de Pelé). É expulso de campo. Em seguida, é a vez de Pelé, inconformado, desacatar o juiz com vários impropérios. O Rei também vai para o chuveiro mais cedo. O jogo fica paralisado por alguns minutos antes de Armando encerrar o primeiro tempo.

Com a vantagem de 3 x 1 no marcador, 11 contra 9 em campo e com mais 45 minutos de tempo pela frente, a chance de o São Paulo aplicar uma estrondosa goleada no Santos era enorme. Não uma sova qualquer, de 5 ou 6 x 1, mas um massacre de 8 ou 9, que poderia virar manchete no mundo todo, justamente no momento em que o Peixe começava a se destacar internacionalmente. Seria um escândalo! No intervalo, nas arquibancadas e sociais do Pacaembu, o comentário geral era de que o Santos não voltaria para o segundo tempo, com receio do vexame que certamente viria. Ainda no entreato, o médico do Santos, Nélson Consetino, confidenciou ao nosso treinador, Osvaldo Brandão, que o jogo não iria acabar porque o Santos melaria a partida.

Apreensão entre os torcedores: o Santos retornaria a campo ou não? Sim, eles voltaram, porém com oito, e não nove jogadores, pois o lateral Aparecido, que tinha estreado naquela noite, misteriosamente contundiu-se no vestiário (?!), e naquela época não eram permitidas substituições. O jogo recomeçou, mas a farsa já estava montada. Aos três minutos, Pepe, depois de uma trivial trombada com Bellini, se joga ao chão, mortalmente ferido. A fuga ia se caracterizando. Aos 7, Dias domina uma bola pela direita, vê Pagão correndo pelo meio e dá um magistral lançamento; Pagão recebe e aponta contra as redes, 4 x 1. Agora não tinha jeito, era o indecente cai-cai ou a derrota estratosférica! Na saída, Dorval vai ao solo após dar um chute e não mais levanta. Com seis jogadores em campo, a partida não poderia prosseguir, pois o Santos não tinha o número mínimo de jogadores em campo (sete). Os jogadores são-paulinos até que tentaram convencer os santistas a parar com o cai-cai e voltar para o campo, mas não houve jeito. Eles não queriam saber e optaram pela fácil e humilhante solução de fugir.

O Santos foi bem-sucedido no seu intento, não levaram a estrepitante surra que tanto temiam. Escolheram pela perda da dignidade, e isso custou caro: quatro dias depois, Pelé, pela primeira e única vez na sua carreira, anunciou, abatido, que estava pensando seriamente em deixar o País, e que qualquer proposta do exterior seria avaliada. Os santistas ficaram tão abalados com a derrota que terminaram o Paulistão na modesta terceira colocação, oito pontos atrás do seu algoz tricolor. Mais importante que o vice-campeonato, só o fato de o são-paulino dizer até hoje, com orgulho, que um dia, o todo-poderoso time do "Rei do Futebol" fugiu de campo com medo do São Paulo.

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Como sobremesa:

Eu nunca disse isso, Pelé...

Revista Oficial do São Paulo FC, nº 108 (2001).

[...] Aos 40 minutos do primeiro tempo, Cecílio Martinez assinalou o terceiro gol tricolor. Pelé e Coutinho, inconformados, desacataram o árbitro e foram expulsos, primeiro Coutinho depois Pelé. Bem que Bellini tentou segurar Pelé após a expulsão de Coutinho. Amigos e companheiros de Seleção Brasileira, Bellini exclamou:

- Não vai lá que o homem te expulsa também. Ele é louco!

Pelé foi e ouviu a frase peculiar do juiz para aqueles momentos:

- O Senhor está expulso! Por favor, retire-se.

No intervalo, o comentário geral era de que o Santos não voltaria para o segundo tempo, com receio de uma goleada histórica que poderia repercutir até no exterior, onde seu time começava a ser conhecido. Mas voltou, só que sem o quarto-zagueiro Aparecido. Naquela época, não havia substituição durante o jogo e a explicação foi a de que Aparecido se machucara. Logo no início do segundo tempo, Pepe, sozinho, caiu inexplicavelmente em campo e saiu de maca. A fuga se caracterizando, mas não antes de Pagão fazer o quarto gol. Aí quem caiu foi Dorval. Com seis jogadores santistas em campo a partida não poderia continuar. Só por isso a goleada não foi maior. No vestiário, após o fim do cai-cai, uma rádio colocou o fone de ouvido em Bellini e em Pelé.

Ainda revoltado, Pelé desafiou o zagueiro são-paulino:

- Quero ver você repetir que o Armando é louco.

Bellini, sem arrependimentos:

- Eu nunca disse isso, Pelé...


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