SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE

CNPJ/MF nº 60.517.984/0001-04
Fundação: 25 de janeiro de 1930
Apelidos: O Mais Querido, Clube da Fé, SPFC, Tricolor Paulista.
Esquadrão de Aço (30-35), Tigres da Floresta (30-35), Rolo Compressor (38-39, 43-49), Tricolor do Canindé (44-56), Rei da Brasilidade (50-60), Tricolor do Morumbi (60-), Máquina Tricolor (80/81), Tricolaço (80/81), Menudos do Morumbi (85-89), Máquina Mortífera (92/93), Expressinho Tricolor (94), Time de Guerreiros (2005), Soberano (2008), Jason (08-09), Exército da Salvação (2017), O Mais Popular (2023), Campeão de Tudo (2024).
Mascote: São Paulo, o santo.
Lema: Pro São Paulo FC Fiant Eximia (Em prol do São Paulo FC façam o melhor).
Endereço: Pr. Roberto Gomes Pedrosa, 1. Morumbi; São Paulo - SP. CEP: 05653-070.
Site Oficial: www.saopaulofc.net
E-mail: site@saopaulofc.net
Telefone: (55-0xx11) 3749-8000. Fax: 3742-7272.
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terça-feira, 12 de março de 2013

80 anos de profissionalismo


O profissionalismo, adotado em 1933, teve a honra de ser inaugurado oficialmente no futebol brasileiro em uma partida do São Paulo. O primeiro jogo dessa nova era ocorreu em 12 de março de 1933 e não podia deixar de ser uma goleada, para ficar bonito na história: 5 X 1 sobre o Santos, lá na Vila Belmiro.

A história do profissionalismo no Brasil se mistura com a história do próprio São Paulo Futebol Clube. O Tricolor nasceu da união de dissidentes e jogadores da AA das Palmeiras e do CA Paulistano, fiel defensor do amadorismo. Com a decisão desse último em abandonar o futebol quando a liga por ele fundada e defendida foi extinta (LAF, 1929), os sócios e dirigentes ao esporte vinculados procuraram o clube da região da Chácara da Floresta (AA das Palmeiras) para dar origem a uma nova agremiação que representasse a cidade e o estado no contexto futebolístico nacional.

Não bastasse isso, a própria reorganização do clube, em 1935, também decorreu da disputa que envolvia o profissionalismo nos conturbados anos 30, o famoso caso da cissão das ligas. Tudo começou em 1934, ano de Copa do Mundo. De um lado a APEA e a FBF, profissionais (nas quais o São Paulo era filiado) e do outro a CBD, amadora. A FIFA somente reconhecia a CBD como entidade oficial e somente jogadores filiados a ela poderiam disputar a Copa do Mundo. Por sua vez a APEA, FBF e o São Paulo não liberariam os atletas dessas entidades (Luizinho, Armandinho, Waldemar de Brito e Sylvio Hoffmann, do Tricolor, haviam sido "convocados" pela CBD).

Entretanto, apesar de todo o movimento político, os atletas foram "contrabandeados" pela CBD e viajaram para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Desde então, o São Paulo viu-se ilhado politicamente. Outros clubes da cidade, que antes também esconderam jogadores para escapar à essa convocatória, com o tempo trocaram de lado e, assediados pela CBD com vantajosos amistosos internacionais - que somente a CBD poderia proporcionar - fundaram uma nova liga no Estado de São Paulo, esta agora filiada diretamente a CBD, que também resolveu adotar o profissionalismo, tardiamente.

A CBD, desde o caso de 1934, não era bem vista por muitos dentro do São Paulo principalmente pelo fato de que graças a perda de atletas (foram os únicos paulistas naquela seleção) é que o time não foi campeão paulista naquele ano, em que somente foi derrotado uma única vez, justamente para o time que se tornaria campeão, que havia escondido jogadores em uma fazenda no interior e que meses depois encabecearia a fundação da liga rival.

A confiança do São Paulo no título de 1934 não era injustificada. Analisando os números do Tricolor no decorrer do ano de 1933 (com os principais selecionáveis escalados) isso se torna visível: o clube havia sido vice-campeão Paulista e também vice-campeão do do primeiro torneio Rio-São Paulo, então chamado de Campeonato Brasileiro de Futebol Profissional (este não unificaram ainda), deixando para a posteridade a melhor média de gols da história do clube (3,74gols por jogo) e as 19 goleadas aplicadas em 34 jogos, a saber:

6 X 1, 4 X 2 e 4 X 2 no Corinthians;
6 X 2, 5 X 1 e 4 X 1 no Santos;
5 X 1 no Vasco da Gama;
7 X 3 no Flamengo;
7 X 4 no América-RJ;
4 X 1 no Bangu;
5 X 2 e 3 X 0 no Fluminense;
7 X 1 e 4 X 1 no Ypiranga;
5 X 0 no São Bento;
7 X 1 e 12 X 1 no Sírio;
4 X 0 na Esportiva São José;
5 X 2 no Sãomanoelense.

Cabe, por fim, lembrar que no regime profissional o São Paulo Futebol Clube é o maior vencedor do futebol brasileiro. Maior campeão paulista, com 20 títulos (ao lado do Santos), maior campeão brasileiro (desde 1971) e clube com mais conquistas internacionais.

12.03.1933
Amistoso Nacional
Santos (SP) Estádio da Vila Belmiro
SANTOS Futebol Clube (SP) 1 X 5 SÃO PAULO Futebol Clube (SP)

SPFC: Moreno; Sylvio Hoffmann e Iracino; Ferreira, Zarzur e Orozimbo (Raffa); Patrício, Waldemar de Brito, Friedenreich, Araken Patusca/capitão e Hércules. Técnico: Clodoaldo Caldeira (Clodô)

Gols: Friedenreich, 11/1; Araken Patusca, 39/1; Waldemar de Brito, 12/2; Waldemar de Brito, 20/2; Araken Patusca, 37/2

SFC: Athiê; Meira e Garcia; Waldomiro, Bisoca e Alfredo (Dino); David, Armandinho (Victor), Catitu (Strauss), Mário Seixas e Logú

Gols: Logú, 3/2

Árbitro: Antônio Sotero de Mendonça
Renda: 14:196$000

sábado, 17 de dezembro de 2011

São Paulo heptacampeão brasileiro?



Esta capa, divulgada ano passado, serve para ilustrar que papel aceita qualquer coisa, e que a decisão de unificação dos campeonatos nacionais se trata, única e exclusivamente, de politicagem. O tal "dossiê" que teoricamente pautou essa unificação não se baseia em documentos oficiais ~ a desculpa é que foram perdidos ~ mas sim em jornais e outras fontes secundárias.

Jornais qualquer um tem, como demonstro. E mais, podem ser interpretados de n formas diferentes. Poderíamos, em uma cruzada insana, apregoar que fomos campeões brasileiros. Mas não fomos. (Leia e explicação aqui). 

Documentos oficias, como esse boletim da CBD de 1975, ou esse boletim da CBD de 1971 (que citam documentos anteriores) não foram levados em conta. Tudo isso mostra claramente que tratam a história não com o devido respeito esportivo e acadêmico, mas como mera ferramenta política. 

Confira nesses links, abaixo, boletins da CBD na íntegra sobre a história do Campeonato Nacional, e conclua que Taça Brasil nunca foi considerada CAMPEONATO nacional. E que os torneios Roberto Gomes Pedroza, a partir de 1968 - quando passou a ser organizado pela CBD - são os únicos que poderiam, em tese, ser realmente tratados como campeonatos nacionais, apesar de sua origem na expansão do Torneio Rio-São Paulo. E que, por diversas vezes, é confirmada a criação do autêntico Campeonato Nacional, em 1971.

Boletim CBD 1972


Boletim CBD 1973 


Boletim CBD 1974 


Boletim CBD 1975 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Maior público da história do SPFC em campeonatos brasileiros


São Paulo 3x0 Operário-MS - 26/02/1978 - Campeonato Brasileiro 1977. Primeira partida semifinal. Importante vitória do São Paulo, que acabou se classificando para a final do campeonato brasileiro, contra o Atlético-MG, onde conquistaria seu primeiro título brasileiro. Essa partida foi histórica, pois foi o maior público da história do SPFC em campeonatos brasileiros com 103.092 pessoas.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Documentário sobre a história do São Paulo


Documentário, da tv Cultura, sobre a história antiga do São Paulo Futebol Clube

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Seleção Campeã do Mundo em 50 era Tricolor!


Notou algo peculiar na imagem acima? A foto é da Revista Oficial do São Paulo, nº 34, de agosto. Essa edição destaca os uruguaios de sangue tricolor, mostrando que a relação entre os orientais e o São Paulo vem de longa data...

... Em 9 de julho de 1950, o Uruguai empatou com a Espanha em 2 a 2 no Pacaembu. Como forma de agradecimento por sua estadia no Canindé (então propriedade do São Paulo FC) durante a Copa, o goleiro reserva da esquadra celeste utiliza uma camisa do Tricolor. Em verdade, na delegação campeã do mundo de 1950, até a cozinheira, Dona Catarina, era funcionária do SPFC.

O São Paulo deu sorte aos Campeões Mundiais. Ainda que o Brasil tenha perdido a Copa, pode-se dizer de que dela o Tricolor tenha saído um tanto vitorioso, e orgulhoso!


A Revista Oficial do São Paulo está nas bancas. Recomendo a reportagem completa.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Às armas, tricolores!


Dois de nossos jogadores, até mesmo o craque Friedenreich, fardados na Revolução Constitucionalista de 1932. Imagem presente em: 1932, o Brasil se revolta: o caráter nacional de um movimento, de José Alfredo Vidigal Pontes; Editora Terceiro Nome, 2004.
...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Dia da Mentira - 1º de Abril

...o jogo que nao existiu.
(quase que um equivalente da Guerra dos Mundos de Orson Wells em New York, hehe).

O futebol e o Dia da Mentira
Por Celso Unzelte

No Brasil, 1º de abril é considerado o Dia Nacional da Mentira, quando amigos costumam tentar enganar os outros com falsas situações. Nada mais natural, portanto, que algumas brincadeiras comuns nesta data tenham entrado também para a história do futebol.

Ao longo dos anos, o primeiro-de-abril mais comum no futebol tem envolvido notícias de falsas contratações de jogadores, como Maradona no Palmeiras (década de 1990), Jardel na Portuguesa (idem) e Zico no Vasco, que inspirou até a famosa música “Pega na Mentira”, de Erasmo Carlos: “Zico ta no Vasco, com Pelé... Minas importou do Rio a maré”.

No entanto, o maior primeiro de abril futebolístico do Brasil (e talvez do mundo) em todos os tempos aconteceu em São Paulo, em 1951. O São Paulo havia acabado de perder par o Palmeiras a chance de ser tricampeão paulista, e, para afogar as mágoas, resolveu excursionar pela Europa.

Nos vários jornais paulistas do dia 1º de abril de 1951, um domingo, a Rádio Panamericana (atual Jovem Pan) publicou o seguinte anúncio:

HOJE, ÀS 12H30

DIRETAMENTE DE MILÃO

O JOGO

SÃO PAULO F.C. X MILANO

Como sempre, com exclusividade pela

RÁDIO PANAMERICANA

“A EMISSORA DOS ESPORTES”

Na hora do jogo, quem sintonizou a Pan ouviu, na voz de Geraldo José de Almeida, o São Paulo ser massacrado pelo Milan por 4 a 0.

Acontece, porém, que o tal jogo nunca existiu. Foi gravado na garagem de Paulo Machado de Carvalho, o dono da rádio, pouco antes de o São Paulo embarcar para a Europa. Um belo primeiro de abril pra cima da torcida tricolor...

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São Paulo x Milan, 1º de Abril de 1951
Por Gilberto Maluf para o Blog História do Futebol

A Rádio Panamericana colocou no ar a narração forjada, causando desespero na torcida são-paulina. Segundo a ” trasnsmissão ” , o juiz roubava descaradamente para os italianos que ” jogavam ” pesado, agredindo os brasileiros. Hélio Ansaldo frisa: ” Foi criado todo um clima contra o Milan e contra o juiz, e esse clima foi o que fez com que o São Paulo estivesse perdendo de 4 a 0.

Aí ” caiu a linha ” . Muitos desligaram o rádio antes do final da transmissão fictícia. Já no Bixiga, bairro de imigrantes italianos, os torcedores comemoraram a vitória do Milan.

O segredo da gravação fora tão bem guardado que nem Consuelo Viegas de Almeida, esposa de Geraldo José, sabia da verdade. Ela nos contou que um irmão do locutor, Sebastião José de Almeida, são-paulino roxo, até se sentiu mal durante a irradiação.

Aurélio Campos, que estava no estádio do Pacaembu narrando um jogo pelo Campeonato Paulista por uma emissora concorrente, protestou, exaltado, e disse que o governo, os deputados, “seja lá quem fosse” , deveriam tomar providências, por ser um absurdo o São Paulo ter se submetido a esse vexame de apanhar de 4 x 0, desmoralizando o futebol brasileiro.

Paulo Machado de Carvalho Filho assinala que no dia seguinte alguns jornais brasileiros, principalmente de outros estados, publicaram matéria ” como se o jogo fictício realmente tivesse havido “. Com o cuidado de guardar as devidas proporções, ele compara o episódio à falsa invasão dos Estados Unidos pelos marcianos, programa de rádio de Orson Welles, em 1938, que provocou pânico nos norte-americanos.

Quando a Panamericana informou que se tratava de uma brincadeira do ” Dia da Mentira ” , os jornais se dividiram: os que deram o resultado criticaram a emissora; os que não deram o resultado divertiram-se com a “barriga” dos concorrentes. Quatro dias depois o Diário Popular estampou manchete de sua página de esportes: ” Agora, não é Primeiro de Abril….” o jornal noticiava que o São Paulo perdera para a seleção da cidade de Bruxelas por 2 x 1.

A brincadeira da Emissora de Esportes serviu para comprovar que depois do rádio ter iniciado as transmissões diretas, os jornais passaram a utilizar as informações radiofônicas, numa inversão da época da “gilete press”.

Fonte: livro O Rádio Esportivo em São Paulo

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Diz o Almanaque do São Paulo, de Alexandre da Costa, que após o amistoso contra o Genoa, da Itália (29/03/51), o São Paulo se juntou à equipe do Bangu para uma série de amistosos combinados (13 jogos, 10 vitórias, 1 empate e 2 derrotas - série de amistosos que por sinal facilitaram a vinda de Zizinho, o Maestro, para o clube). Entre isso, a Rádio Panamericana, com narração de Geraldo José de Almeida, apresentou de fato o falso jogo, como brincadeira que, todavia, nessa versão teria terminado 8 x 1 para a equipe de Milão - Detalhe é que o juiz teria roubado adoidado para o time da casa...

Relatos de época dizem que foi uma balbúrdia a repercussão do jogo, com torcedores rivais revoltados com o desempenho pífio do Tricolor, que estaria enterrando ainda mais o nome do Brasil no cenário internacional do futebol (lembrar Copa do Mundo de 1950). E claro, estavam também com muito sarro e gozação.

Mal sabiam eles que no dia seguinte, após a divulgação da brincadeira, quem tiraria um barato seriam os Tricolores...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

25, 26, 27 de janeiro

"O São Paulo Futebol Clube, fundado na cidade de São Paulo, onde tem foro e sede, em 16 de dezembro de 1935, preservador das glórias e tradições do São Paulo Futebol Clube, da Floresta, o qual foi fundado em 25 de janeiro de 1930 e extinto em 14 de maio de 1935, é uma Entidade de Prática Desportiva...

[...] O dia 25 de janeiro é considerado data magna do São Paulo Futebol Clube, em homenagem à primeira partida oficial de futebol do Clube".
Trecho da descrição do clube citada em documentos oficiais do SPFC

Vamos aqui falar da data de nascimento dos ideais do São Paulo Futebol Clube. Não caberá aqui a discussão se o São Paulo como se apresenta hoje é de 1935 ou de 1930. O que se deseja abordar nesse texto é o surgimento desse princípio comum, que norteia (ou norteou) o clube em ambas as fases. Especificamente seu marco temporal: o dia de sua origem.

Como vimos na citação inicial, o São Paulo, talvez por simplificação - pois veremos se tratar de algo um tanto quanto complicado - ou ênfase, aponta como fundação do SPFC "da Floresta" o dia 25 de janeiro. Falo em ênfase, pois a idéia primária dos fundadores era de homenagear a cidade de São Paulo, presenteando-a com um novo clube em seu aniversário. Isso é notório.

Porém, em termos legais, o São Paulo Futebol Clube não nasceu exatamente bem nesse dia...
"O desejo dos fundadores era constituir um clube com o mesmo nome da cidade e em condições de representá-la em variados aspectos. [...] Com esse mesmo espírito, tudo fizeram para que a data de fundação coincidisse com a data de aniversário da cidade, 25 de janeiro. Entretanto, como os estatutos que regeriam a sociedade não ficaram prontos no dia programado, a assembléia de fundação foi realizada no dia seguinte, 26 de janeiro de 1930. A assinatura da ata de fundação do novo clube ocorreu Praça da República, número 28, com Edgard de Souza sendo proclamado presidente do clube".
Conrado Giacomini. Dentre os Grandes, És o Primeiro. Páginas 21 e 22.

Outras fontes respeitáveis aceitam também o dia 26 de janeiro como o marco inicial do clube da Floresta - como o Lance! e PLACAR. A bem da verdade, essa é a versão mais divulgada. Contudo, novamente eis um novo "senão":

No livro História do Futebol no Brasil (1894-1950), de Thomaz Mazzoni, há um trecho em que essa questão especial é abordada:
"Ontem, às 14 horas, reuniram-se, na Praça da República, 28, sócios da A.A Palmeiras e do C.A. Paulistano para o fim especial de fundarem um novo clube que representasse condignamente a cidade de São Paulo em competições esportivas".
Até ai, tudo bem. O problema é que essa passagem escrita pelo Thomaz Mazzoni é originária do jornal A Gazeta do dia 28 de janeiro de 1930. Ou seja, a fundação teria ocorrido no dia 27 de janeiro de 1930.

Outro ponto curioso, e que dá sustentação a essa data como ponto de partida do Tricolor, é que o dia 26 de janeiro foi um domingo. Não sei das normas jurídicas da época (se era preciso registro em cartório, por exemplo), mas parece bem tangível crer que a fundação seria melhor datada ocorrendo em uma segunda-feira.

Não encontro explicação para a distorção entre as datas (Provavelmente, erros tipográficos em publicações de renome, que por sua vez são utilizadas por outras edições, etc, etc). Certamente estava tudo agendado para o dia 25, sábado. Então, possivelmente, o atraso nos documentos adiou a fundação oficial do novo clube para segunda-feira, não para o domingo.

Quem corrobora essa data, 27 de janeiro, por exemplo, é a Federação Paulista de Futebol (ao menos é o que aparece em seus almanaques).

Enfim... Fato importante nessa confusão toda é que: O São Paulo Futebol Clube, mesmo se considerado de 1935 em diante, tem como o dia de maior relevância (data magna) 25 de janeiro. Como podemos ver bem ao destacarmos os amistosos comemorativos promovidos pelo clube - sempre que possui disponibilidade entre seus jogos oficiais de campeonato.

25.01.1936 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Palestra Itália - Parque Antárctica
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 3 X 2 Associação Atlética PORTUGUESA (Santos - SP)
*O primeiro jogo do clube, refundado em 1935.

25.01.1937 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Campo da Antárctica Paulista
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 3 X 1 Associação Atlética PONTE PRETA (SP)

25.01.1940 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Antônio Alonso - Moóca
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 4 X 3 Associação PORTUGUESA de Esportes (SP)
*É o mesmo estádio do jogo anterior, só rebatizado e com arquibancadas.

25.01.1961 Torneio Octagonal Sulamericano de Verão 1961
Buenos Aires (ARG) Estádio Camilo Cicchero - La Bombonera
Club Atlético BOCA JUNIORS (Argentina) 1 X 5 SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil)

25.01.1962 Troféu Lourenço Fló Junior 1962
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 1 X 2 Sport Club CORINTHIANS Paulista (SP)

25.01.1967 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 1 X 2 CRUZEIRO Esporte Clube (MG)

25.01.1968 Amistoso Internacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil) 3 X 2 Sport Lisboa e BENFICA (Portugal)

25.01.1969 Amistoso Internacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil) 2 X 2 Seleção da HUNGRIA

25.01.1970 Amistoso Internacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil) 1 X 1 Futebol Clube do PORTO (Portugal)
*Inauguração do Estádio do Morumbi, totalmente construído.

25.01.1971 Festival Internacional do São Paulo FC
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil) 2 X 1 SPORTING Clube de Portugal (Portugal)

25.01.1972 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 2 X 0 Clube ATLÉTICO MINEIRO (MG)

25.01.1973 Amistoso Internacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (Brasil) 0 X 1 Club Atlético INDEPENDIENTE (Argentina)

25.01.1982 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 0 X 1 Combinado VIVA SÃO PAULO (SP)

25.01.1998 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
SÂO PAULO Futebol Clube (SP) 1 X 1 Combinado SANTOS FC/CR FLAMENGO

25.01.2006 Amistoso Nacional
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi
Combinado de Jogadores 1992-1993 do SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 2 X 0 Combinado de Jogadores Veteranos do SÃO PAULO Futebol Clube (SP)

p.s. Nem todos esses jogos são considerados partidas oficiais do clube (é o caso de jogos contra seleções e combinados).

p.p.s. Agradecimentos ao Paulo de Tarso, que me atentou ao fato sobre a data 27 de janeiro e contribuiu com a transcrição do texto citado (Quase me esqueço de agradecer).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dia Tricolor

Todo torcedor comemora a data de fundação de seu clube do coração. Se não o faz, deveria. Pois é a partir dele que cada um de nós comemora, vibra, grita e, por que não, sofre (apesar dessa não ser a tõnica do torcedor são-paulino, rs).

Para o torcedor do São Paulo essa comemoração é um tanto quando dúbia por ser um clube que passou por muitas dificuldades e obstáculos para chegar às glórias (ver "Como nasceu o São Paulo", "Fundação e Refundação" e "Coerência sobre 1930 ou 1935").

Visando acabar com essa discussão, o então vereador Aurélio Miguel colocou em pauta, em 2005, a aprovação do projeto de lei n.º 648. E em 18 de outubro de 2006 foi sancionada na cidade de São Paulo a lei n.º 14 229 de 11 de outubro do mesmo ano que diz que todo dia 16 de dezembro será comemorado o "Dia Tricolor" homenageando, dessa maneira, a data de refundação do clube. Essa data integra o Calendário Oficial de Datas e Eventos do Município de São Paulo.
Mas a data escolhida é controversa para muitos torcedores, e até para o clube, por comemorarem as conquistas anteriores, como o Paulista de 1931.

Na íntegra a lei diz, em seus artigos:
Art. 1º Fica instituído o Dia do São Paulo Futebol Clube no Município de São Paulo, ou seja, o Dia Tricolor, a ser comemorado no dia 16 de dezembro de cada ano, em função dessa data ser a da fundação da agremiação.

Art. 2º A comemoração ora instituída passa a integrar o Calendário Oficial de Datas e Eventos do Município de São Paulo.

Art. 3º No Dia Tricolor serão realizados eventos e atividades culturais que contarão a história desse renomado clube.

Art. 4º O Poder Executivo regulamentará a presente lei no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da data de sua publicação.

Art. 5º As despesas decorrentes da implantação desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Art. 6º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Como presente por essa data memorável, um papel de parede do Dia Tricolor.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Árvore Genealógica

Eis a árvore genealógica do São Paulo F.C.

Clique para ver o quadro completo.

É a versão extendida, incluso com os parentes mais distantes possíveis (primos de terceiro grau, rs)...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O bandeirinha é nosso!


Em pé, Hugo (bandeirinha), Luizinho, Siriri, Nestor, Romeu, Fried, Abate, Bino e Ribeiro (massagista). Agachados: Barthô, Clodô, Milton e Armandinho.

Já discutimos sobre essa curiosa foto antes, quando abordamos o raro fato do SPFC usar uma camisa diferente de suas tradicionais (Inspiração Histórica, Uniforme negro da AA das Palmeiras). Só que acabou passando batida maior explicação sobre outro detalhe tão curioso quanto.

A escalação do bandeirinha! Sim, o bandeirinha era nosso. Hugo era do São Paulo Futebol Clube. Até a reforma da arbitragem nacional, efetuada pela CBD em meados de 1939, o trio de arbitragem era ligado oficialmente aos clubes.

Cada time possuia seu bandeirinha, e também seu árbitro (mas quanto aos árbitros, falaremos em uma próxima oportunidade). Em uma partida oficial de competição, os árbitros auxiliares eram dos próprios clubes envolvidos, possuiam até uniforme próprio e distinto. Obviamente, o juiz principal era neutro, de outra equipe - desinteressada também do resultado do jogo em questão.

Hugo Margi, sócio de um restaurente da Cia Paulista de Estradas de Ferro, foi nosso bandeirinha oficial de 1930 à 1939. Assim como dezenas de outros jogadores, veio do Paulistano, onde começara a exercer sua função em 1924.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Você votaria pelo fim do São Paulo?

Acredite, 113 "são-paulinos" votariam. Aliás, votaram.

Em 14 de maio de 1935, às 14 horas, na Praça Ramos de Azevedo, nº 4, após idas e vindas na justiça, ocorreu uma Assembleia Geral Extraordinária, presidida pelo Dr. Alberto Hugo de Oliveira Caldas e secretariada pelo Dr. Luiz Lopes Coelho e Sr. Hélio Pereira de Queiroz, que definiu o futuro do São Paulo Futebol Clube, nascido em 1930.

Seu fim, em fusão com o CR Tietê.

Justificou o Dr. Paulo Machado de Carvalho tal decisão pelos seguintes motivos: Decadência moral do futebol, sua impraticabilidade devido à cisão das ligas e também pela falta de garantias jurídico-contratuais com os futebolistas (Lembro que pouco antes o SPFC havia perdido 4 jogadores, que sairam fugidos, furtados pela Seleção - então controlada por uma federação a qual o clube não fazia parte, para a Copa do Mundo de 1934).

Em suma estes foram os principais motivos apontados - e diga-se de passagem, de legítima altercação -, embora também citasse em seu discurso os custos com a reforma do Estádio da Floresta e o tal desequilíbrio financeiro... secundariamente. E ai sim, se fosse por isso, a situação seria risível.

Vingativos, egoistas, etc. Por vários nomes do gênero foram chamados os homens que tomaram essa decisão. Pois preferiram destruir o que construíram a deixar que outros tomassem conta - e talvez aprimorar aquilo que não conseguiram.

Dos 205 sócios fundadores que teriam direito a voto (somente com esse status poderia participar), somente 151 estavam aptos à tal (não haviam sido expulsos, eliminados, ou se demitidos do quadro de sócios, e também, obviamente, não falecidos).

Enfim, os 113 homens que votaram pelo fim do São Paulo:

001. Eugênio Sodré Borges. - Médico e futuro prefeito de São Gonçalo, no RJ.
002. Jair Martins (por procuração dada a Eugênio Sodré Borges).
003. Eurico Sodré.
004. Edmundo Xavier Ribeiro de Mendonça.
005. José Carlos de Macedo Soares.
006. Augusto Ribeiro de Mendonça.
007. Julio Revoredo
008. Antônio Cândido Azevedo Sodré.
009. Oswaldo Brancante Machado.
010. Umberto Whitaker Penteado.
011. Paulo N. (ou M.) de Barros.
012. Américo Floriano de Toledo (por procuração dada a Paulo N (ou M.) de Barros).
013. Henrique Pegado.
014. Joaquim de Campos Salles.
015. Victor Luis P. de Souza.
016. Firmino Pires de Melo.
017. Paulo de Queiroz.
018. Victor de Queiroz.
019. Álvaro de Souza Queiroz.
020. Caio Luiz P. de Souza.
021. Waldo Rollim de Moraes.
022. Nelson Berlink.
023. Caetano Notari.
024. Arnaldo Alves da Motta.
025. Caetano Caldeira. - Jogador.
026. Manoel Pereira de Rezende.
027. Flávio M. Campos.
028. Lahir (ou Salim) de Castro Cotti.
029. Raphael Luiz P. de Souza.
030. João de Barros.
031. Leonel Benevides de Rezende.
032. Manoel de Toledo Passos.
033. Plínio da Silva Prado.
034. Carlos Prado.
035. Francisco Armando Junior.
036. José Accacio Fontoura.
037. Luiz Gonzaga de Toledo (por procuração dada a José Accacio de Fontoura).
038. Adalberto de Queiroz Telles Filho.
039. Cândido Cortez.
040. Nelson de Andrade Coutinho.
041. João de Almeida e Brito (por procuração dada a Nelson de Andrade Coutinho).
042. Martinho da Silva Prado. - Irmão de Antônio Prado Junior.
043. José Cerquilho de Assunção.
044. Francisco Coutinho Filho.
045. Carlos de Souza Nazareth.
046. Marcos Ribeiro dos Santos.
047. Roberto Nioac (ou Nicac).
048. Tito Pacheco Junior.
049. Sylvio de Andrade Coutinho.
050. Francisco Luiz da Cunha Bueno.
051. Joaquim Luiz Alves de Lima.
052. Eduardo da Silva Ramos.
053. Antônio C. Conceição.
054. Jorge Alves de Lima.
055. Alberto Hugo de Oliveira Caldas.
056. Ataliba José Pompeu do Amaral.
057. Paulo Espíndola de Aquino (por procuração dada a Ataliba J. P. do Amaral).
058. Cantídio de Moura Campos. - Futuro secretário da educação da Cid. de SP, que teve que dar a autorização para a "reestréia" do SPFC.
059. José Martins Costa.
060. Julio Mesquita Filho. - Jornalista e advogado, Diretor da OESP, fundador da Rádio Eldorado, ex-presidente, o 1º, do conselho deliberativo do SPFC.
061. Raul Vieira de Carvalho.
062. Roberto (ou Rodrigo) Alves de Almeida.
063. Augusto Rodrigues Junior.
064. Cincinato Reichert.
065. Gastão Rachou. - Ex-dirigente do CA Paulistano.
066. Raul Estella (por procuração dada a Gastão Rachou).
067. Raul Guimarães.
068. Luiz Marcondes de Moura.
069. Antônio Carvalho Saraiva.
070. Luiz Augusto Saraiva.
071. Luiz Augusto Pereira de Queiroz.
072. Clodoaldo Caldeira. - Jogador, o Clodô.
073. Edgard Tibiriçá.
074. João Álvaro Botelho de Miranda.
075. Adelino Alves.
076. Fernando Egydio de Oliveira Carvalho.
077. Marcello Paes de Barros.
078. Augusto Brandt de Carvalho.
079. Bernardo Morelli Junior.
080. Oswaldo Sampaio.
081. Raphael Salles Sampaio.
082. Edmundo C. Amorim.
083. A. Gabriel da Veiga.
084. João Baptista da Cunha Bueno.
085. José Junqueira de Oliveira.
086. Erasmo de Toledo.
087. Cid Amand (ou Arnaud) Costa.
088. Antônio Augusto Fleury de Assumpção.
089. Samuel Augusto de Toledo.
090. Thomaz da Cunha Bueno.
091. Frederico de Souza Queiroz.
092. Manfredo Costa Junior.
093. Lauro Sousa Lima.
094. Estevam José de Almeida Prado.
095. Miguel dos Santos Junior.
096. Arthur Nascimento Junior.
097. Antônio de Toledo Passos.
098. Sylvio Costa Booch (ou Book). - Jogador, de Linha Média.
099. Névio Barbosa.
100. Paulo Machado de Carvalho. - Empresário e advogador, fundador da Rádio Record e posteriormente dono da Rádio Panamericana.
101. José Augusto de Siqueira (por procuração dada a Paulo M. de Carvalho).
102. Cincinato Cajado Braga.
103. Plínio Botelho do Amaral. - Engenheiro e arquiteto, projetou o famoso prédio do Banespa.
104. Luiz Fernando do Amaral.
105. João Baptista de Souza Aranha. - Souza Aranha, tradicional família de barões. Herdeiros do Barão de Anhumas.
106. Vasco Baruel Galvão Bueno.
107. Luiz de Oliveira Barros.
108. Arthur José da Nova (por procuração dada a Luiz de Oliveira Barros).
109. Antônio Prado Junior. - Engenheiro e político (deputado e prefeito do RJ), foi também dirigente e fundador do CA Paulistano.
110. Manoel Carlos Aranha.
111. Antônio Manoel Alves de Lima.
112. Duffles (ou Duffler) de Camargo Bueno.
113. Flávio Rodrigues.

Deixaram de votar (abstiveram) 33 senhores, dos quais 12 justificaram suas decisões em nota oficial de protesto - por julgarem que a decisão no fim já era favas contadas, tendo sido proclamada em rádio na noite anterior:

01. Homero Cordeiro.
02. Nelson Baia Chaves.
03. Jorge Faria.
04. Sylvio T. Ruy.
05. Jayme Torres.
06. Paulo Sampaio.
07. Paulo Meirelles (por procuração dada a Carlos Monteiro Brisolla).
08. Cássio Villaça.
09. Maurício Villela.
10. Bartholomeu Vicente Gugani. - Jogador, o Barthô.
11. Joviano Telles.
12. Hélio Pereira de Queiroz.

13 - 32. Desconhecidos, no momento.
33. Francisco Luiz Ribeiro.

E por fim, os únicos cinco bravos que foram contra o fim do SPFC:

01. Carlos Monteiro Brisolla.
02. José de Godoy.
03. José Sampaio.
04. Desconhecido, no momento.
05. Desconhecido, no momento.

*Nota: Alguns nomes não foram divulgados em todos os textos consultados. Buscarei em breve noutras fontes, se possível, essa informação.

**Em negrito, nomes de destaque do cenário paulistano ou da vida tricolor.

Fontes:
Revista Arakan - São Paulo Futebol Clube (1930-1942).
Revista Tricolor - Orgão Oficial do São Paulo Futebol Clube, nº 6, pgs 42-43.
Álbum Comemorativo do Estádio Cícero Pompeu de Toledo.
"Um Pouco de História do Tietê", de Raul Leme Mon... (nome ilegível).
Livro de Controle de Sócios do São Paulo Futebol Clube (1930-1935).


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Tricolor Azulado? Olímpico Clube?

Quando uma coisa é para acontecer, acontece. O que tem de ser, será. Como também, algumas coisas nunca serão, jamais darão certo.

E o São Paulo Futebol Clube sabe bem disso, aprendeu antes mesmo de nascer.

1930

Nas negociações de fusão que deu origem ao clube, em 1930, inicialmente estava presente também um outro clube da região da Floresta: A Associação Athletica São Bento - na realidade, vizinha do AA das Palmeiras, na época.

Mas chegou dia 25 de janeiro, o dia escolhido para servir de berço ao Mais Querido, e na Hora H, a São Bento deu para trás...

Motivo? O clube já era muito endividado, e sabia que a AA das Palmeiras tinha saldo pior na praça que eles próprios. Acharam que seria roubada e deram no pé... Duvidaram que somente alguns ex-dirigentes e ex-jogadores do CA Paulistano dariam conta do recado.

Bem, eles seguiram mal das pernas, e o São Paulo FC foi campeão paulista de 1931. Eh... Azul não cairia bem mesmo.

Segue a vida...

1935

Já em 1935, após aquele episódio vergonhoso e vingativo de dirigentes que se acham proprietários do São Paulo "da Floresta" - e que o entregaram ao CR Tietê -, surgiu o Clube Atlético São Paulo. E lá veio a AA São Bento, em busca de uma segunda chance, atrás do CASP propondo uma fusão.

Dessa vez o São Paulo - mais preocupado com problemas internos, como resgatar a identidade do recém falecido - foi quem disse não.

No fim das contas, a São Bento, quase falida, se entregou a um velho conhecido, o CR Tietê (já chamado oficialmente na época de CR Tietê-São Paulo), no final de 1936.

Mas nasceu então o Maior de Todos, em 16 de dezembro de 1935. O São Paulo Futebol Clube. Mas ainda engatinhando não era tão grande assim. E em 1936 corria muito atrás de ao menos um local certo para treinar. Viu uma boa oportunidade ali num campinho na Moóca, de propriedade da Companhia Antárctica Paulista: Era o Estádio Antônio Alonso.

1936

Ah, mas o campo já era alugado a um clube, o Clube Atlético Paulista - que nesse emaranhado de fusões e associações, também surgiu de uma, da união do Sport Club Internacional, bicampeão paulista, com o pequeno time da cervejaria local, o Antárctica Futebol Clube.

Enfim. Propôs o São Paulo Futebol Clube ao pequeno CAP o seguinte: Vocês mudam seu nome para São Paulo OLÍMPICO Clube, e nós nos desligamos da Federação e passaremos a jogar sob uma mesma camisa ai no seu campinho. Que tal?

Ainda bem que disseram não...

Mas o São Paulo é o clube da fé, sempre persistente e perseverante. Suportou como do jeito que deu o início dos tempos até que surgiu uma chance. Seu primo bem próximo, o Estudantes de São Paulo (que nasceu do finado São Paulo-Pai) conseguiu o que o Tricolor Jr havia tentado e não obtido: fusão com o CA Paulista, e assim, o direito de uso do campo na Rua da Moóca. Passaram a se chamar Clube Atlético Estudantes Paulista (isso mesmo, sem concordância gramatical nenhuma, e isso porque eram estudantes...)

Só que, azar deles e sorte nossa, se endividaram e quase fecharam as portas após uma excursão pela América do Sul onde foram assaltados por empresários espertinhos.

1937 e 1938

E agora sim, sem saída, aceitaram em Setembro de 1938, a fusão com o São Paulo FC, que enfim, teve então um local para treinar e jogar, até a inauguração do Estádio Municipal do Pacaembu.

No fim das contas, como dito. O que tem de ser, será.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nº de Sócios em 1942

Thomaz Mazzoni, em seu Almanaque Esportivo "Olympicus" 1942-1943, realiza um trabalho hercúleo, catalogando todos os clubes da cidade de São Paulo e boa parte do estado. (Naquela época, existiam centenas e centenas de clubes amadores, sociais, artísticos e de várzea, na cidade).

Se não bastasse, sua publicação ainda contava com data de fundação, endereço, modalidades esportivas praticadas, principais dirigentes e - o que destaco aqui neste artigo - número de sócios.

Obviamente nos vêm à mente que os times grandes da época, que rivalizavam entre si, fundados há mais ou há quase trinta anos, Corinthians (1910, então com 32 anos) e Palmeiras (ex Palestra Itália, 1914, então com 28 anos), seriam os cabeças desta lista, em ordem de número de sócios.

E eram mesmo.


Sport Club Corinthians Paulista = 15.000 sócios.
Sociedade Esportiva Palmeiras = 10.057 sócios.

O que era de se espantar, realmente, não era só quem era o terceiro colocado, mas principalmente a quantidade de sócios que possuía.

Que possuia, sem ter patrimônio social algum.
Que possuía, tendo somente 7 anos, de sua nova vida.
Que possuía, sem ter conquistado título nenhum, em sua nova fase.

Ou seja, um clube movido somente por sua paixão e de seus torcedores, por seu ideal e de seus sócios. Que não deixaram o clube morrer em 1935, após perder suas posses e seus antigos associados...


3º São Paulo Futebol Clube = 9.983 sócios.

Considero um feito épico! Que realmente proporcionou a arrancada Tricolor na década de 1940. O São Paulo nasceu grande, renasceu pequeno, e soube crescer novamente, e rapidamente, desde cedo.

Verdadeiros obstinados, clube e torcida. Não se pode dizer que é novidade o São Paulo ter a torcida que mais cresce, ultimamente. Já provamos disso antes, e vertiginosamente. Talvez por esse fato, antigos clubes grandes tenham criado profundo rancor e ódio - a ponto de nos declararem inimigos. Afinal, o tempo provou que os destronamos, e era isso que mais temiam.

Como diz um velho conhecido meu, "Não somos modinha. Se somos moda, somos desde 1935". Moda perpetualizada não é moda, é tradição.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Excursão invicta de 1981

Nesta época onde poderíamos fazer belas excursões pelo exterior, não fosse o calendário, bom lembrar:


Scans de Luiz Felipe Sales, da Revista Tricolor, n° 2 (1981).

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Progride o São Paulo Futebol Clube


Reportagem da Revista Tricolor #1, de 1949.
Agradecimentos a Ralph Diniz do Paixão Tricolor.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Inauguração dos refletores do Morumbi

Especificamente do sistema atual de refletores...


Em uma terça-feira de maio de 1999, em partida válida pelo Campeonato Paulista, contra a Matonense, o São Paulo inaugurava o seu atual sistema de iluminação do Estádio do Morumbi. A aparelhagem agora contava com 256 holofotes HPI 1500W em linha horizontal (antes eram 100 holofotes em quatro torres). A luminosidade passou a ser 1500lux por ponto.

Seu custo: R$ 1 milhão (fonte).

O público compareceu em bom número para o festejo - visto a importância e horário do jogo: 48.421 pessoas. A renda não é conhecida, mas creio que somente esse jogo já teria compensado metade do valor investido (comparando com outras rendas e públicos da época).

Bom lembrar que o sistema de iluminação original (torres) era do início dos anos 70 e fora cedido em aluguel de 10 anos pela empresa de eletrônicos Philips, em troca de publicidade gratuita no estádio pelo mesmo período (e graças a Henri Aidar e Antônio Nunes Leme Galvão). Depois desta data somente houve ligeiras melhorias.

Para o projeto Morumbi 2014, de acordo com o planejamento original - que envolve a cobertura do estádio, o sistema passará novamente por reformas, com ligeira expansão de luminosidade (para 2000lux por ponto), mas profunda alteração estrutural.

***

04.05.1999 Campeonato Paulista 1999
São Paulo (SP) Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi.
SÃO PAULO Futebol Clube (SP) 3 X 2 Sociedade Esportiva MATONENSE (SP)

Escalação: Rogério Ceni; Edmílson, Nem e Wilson; Jorginho (Héctor Carabali), Raí (Edu), Carlos Miguel e Serginho; França, Dodô (Warley) e Marcelinho Paraíba.

Técnico: Paulo César Carpegiani
Gols: Edu, Warley e França
Árbitro: Roberto Garbini Filho
Não houve jogador do SPFC expulso nessa partida
Renda: Desconhecida
Público: 48.421

domingo, 19 de abril de 2009

Frutos da Quermesse

Tempos difíceis, tão antagônicos com a atualidade (exceção ao fato de manter-se tão vitorioso quanto), mas que ainda hoje nos mostram uma coisa: que com trabalho árduo tudo é possível.

Você já imaginou, hoje, o São Paulo angariar recursos para desenvolver seu patrimônio através de quermesses e feirinhas de São João? Antigamente foi assim - e deu certo.

Fragmentos da Revista Tricolor, nº 1, de 1949
(agradecimentos a Ralph, do Paixão Tricolor)

Um dos frutos desse trabalho foi a construção da pequena quadra para basquete, ou como diziam na época, bola ao cesto, nas dependências da sede do Canindé. Reparem que nem mesmo arquibancadas haviam...


Curiosamente seu nome era Dr. Paulo Machado de Carvalho, que nos anos sessenta batizaria também o Estádio Municipal de São Paulo, o Pacaembu.

Assim como os préstimos ao grande presidente evoluiram, o São Paulo também evoluiu - méritos, em boa parte, ao próprio Dr. Paulo... Justo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

A temporada do S. Paulo F.C. em Porto Alegre

Transcrição do artigo publicado na revista Esporte Ilustrado, nº 158, de 17 de abril de 1941, quando o São Paulo fora convidado à inaugurar o estádio do Cruzeiro de Porto Alegre - então forte time gaúcho. E, como perceberão, não se podia dizer o mesmo do SPFC...


Após as brilhantes exibições do Gymnasia y Esgrima de Buenos Aires, foi dado a conhecer ao público desportivo portalegrense o quadro do S. Paulo F. C. da Paulicéa.

Vencedores dos "mens-sana" por larga contagem os sampaulinos eram tidos como grandes adversários dos clubs gaúchos. Esperava-se, mesmo, empolgantes partidas. Nada disso, porém, aconteceu. Porque? Digamo-lo francamente: o São Paulo em suas duas exibições não apresentou bom futebol. Foi derrotado em ambas as partidas pela diferença mínima é bem verdade, mas convenhamos que, dos seus adversários, ao Cruzeiro faltou o arremate e o Internacional cansou no início do 2º tempo. Não fossem estes os defeitos dos clubes pôrto-alegrenses e os sampaulinos regressariam com o amargor de duas graves derrotas. Vamos resumir as 2 partidas:



CRUZEIRO X S. PAULO

Para a inauguração de seu novo estádio o Cruzeiro convidou o São Paulo F. C. Depois de uma imponente parada atlética houve diversas cerimônias sendo por fim entoado o Hino Nacional por todos os assistentes.

Com o pontapé inicial, dado pelo exmo. secretário das Obras Públicas, foi dado início à partida, tendo os dois quadros a seguinte constituição:

São Paulo: King - Fiorotti - Squarza - Lola - Walter - Orozimbo - Bazzoni - Teixeirinha - Emédio (sic) - Remo (Jofre) - Novelli.

Cruzeiro: Marne - Só - Coelho - Ferrari (Zezé) - Wiezer - Canali - Saladura - Bruno - Louzada (Rico) - Rey - Gervásio.

A partida transcorreu algo movimentada, destacando-se nos dois quadros os seguintes players: Só - o melhor dos 22 em campo - Canali - Ferrari - Ruy [antes escrito Rey, n/t] - King - Fiorotti - Orozimbo e Remo.

O único goal da tarde foi assinalado aos 36 minutos do 2º tempo por Gervásio, que se aproveitou de uma defesa parcial de King.

Cruzeiro: 1 - S. Paulo: 0.
Público: Calculado em 20.000 pessoas.
Renda: 30:000$000.



INTERNACIONAL X S. PAULO.

Este jogo foi realizado quarta-feira à noite. Os colorados gauchos iniciaram o jogo com um apetite de leão. Permaneceram durante os primeiros dois minutos bombardeando o arco de King. Aos 4 e aos 9 minutos Carlitos atingiu as redes do irmão de Teleco [King era irmão do famoso jogador do Corinthians]. Depois dêstes 13 minutos sufocantes os paulistas se refazem e finalmente aos 20 minutos Teixeirinha assinala bonito goal. Mas logo após Carlitos - sempre Carlitos - marca
em school enviezado [nem idéia do que seria isso] o 3º ponto do Internacional, ponto êsse que constituiu um verdadeiro "frango" de King. Revezam-sem as cargas e finaliza o 1º tempo com 3 x 1 no placard.

Na 2ª fase, Brandão, que vinha sendo o grande esteio dos colorados, cansou e, ao que parece, contagiou seus companheiros que nada mais fizeram. Só então a assistências percebeu que além do Internacional havia outro quadro no campo... Sim, porque aí começou a se locomover uma máquina acionada por Lola, agora como chave do quadro. E esta máquina pressionava cada vez mais, a despeito dos esforços de Alfeu e, notadamente, de Pedrinho. Aos 25 minutos, por fim, Teixeirinha trouxe a bola até as proximidades do arco, de onde, então, fulminou Rubens. 3 x 2 e esperanças de um empate para os sampaulinos. A máquina que varava o centro do campo era, porém, inofensiva dentro da área e o score manteve-se irredutível até o fim.

Valores: Remo foi a maior figura em campo, a despeito de seu tamanho... Seguiram-lhe em ordem: Brandão, Orozimbo, Sílvio Pirillo, Carlitos, Alfeu e Teixeirinha.

Juiz: Alvaro Silveira. Atuou regularmente ambas as partidas do S. Paulo em P. Alegre.

Renda: Cerca de 19:000$000.

Quadros: Internacional: - Rubens; Alfeu e Risada; Mascrinha (Nenê), Brandão (Nick), Pedrinho; Tesourinha, Russinho, Silvio Pirillo, Rui (Castillos) e Carlitos.

S. Paulo: - King; Fiorotti e Squarza; Lola (Zachlis), Walter (Lola - !!! Voltou ao jogo) e Orozimbo; Bazzoni, Teixeirinha, Hemedio, Remo e Paulo (Novelli).

terça-feira, 24 de março de 2009

Originalidade

A história do São Paulo teve início em 1930 (não vamos discutir fundação 30/35) quando sócios e jogadores do CA Paulistano resolveram juntar forças à AA das Palmeiras.

O novo clube herdeu as cores de seus pais: o Vermelho do clube do Jardim América, o Preto do clube da Floresta, além do Branco, comum em ambos. De seus antigos uniformes surgiu a camisa branca, com listras horizontais vermelha e negra - cada qual representando um time fundador.


A criação do distintivo do recém nascido ficou a cargo do estilista alemão Walter Ostrich e do fundador Firmiano de Moraes Pinto Filho, em janeiro de 1930.

De lá pra cá, muitas outras entidades se inspiraram nos simbolos do São Paulo Futebol Clube. Fato que, com o tempo, passou a suscitar dúvidas sobre a originalidade das criações do Tricolor Paulista.

Vez ou outra, um indaiatubense ou ribeirãopretense exaltado canta que os times de suas cidades é que inspiraram o distintivo e a camisa dos paulistanos, respectivamente. Até mesmo Fortaleza, Ferroviário, Santa Cruz, Atlético Goianiense entram nessa conversa...

O artigo, ainda que de modo inconclusivo (queria possuir mais conteúdo para definí-lo), visa desmistificar tudo isso.

Como já apresentei em São Paulo Fever, praticamente centenas de clubes se inspiraram de alguma forma no São Paulo. Não quero dizer que o Tricolor é entidade dona das formas e cores, como se nenhum outro clube pudesse as possuir sem ter sido inspirado nele. Mas em certos casos é impossível aceitar que tudo tenha sido mero acaso, pois:

1º - O simbolo do SPFC tem formato peculiar e único - quando de sua invenção. Um retângulo junto de um triângulo formam o perímetro, internamente ainda existem outro retângulo e mais dois triângulos, criando assim a famosa quadratura T, dos astrólogos (mas isso é outro papo).

2º - A camisa 1 do SPFC não possui formas geométricas tão incomuns, que a torne por demais específica. Ainda assim são raros os clubes que usam uniformes com duas faixas horizontais finas à altura do peito, somente. Mais raros ainda são os que intercalam uma listra branca entre as outras duas.

Assim, quando vemos um escudo similar ao SPFC, em quase totalidade dos casos é possível uma ligação direta de inspiração. Agora, quanto a camisas é preciso melhor estudo, levando em conta a história do clube e a data de sua fundação/adoção do uniforme, por exemplo.

Posto isso, aos detalhes:

1. Simbolo

Alguns clubes com distintivo similar ao do São Paulo (entre parênteses a data de fundação):

7 de Setembro FC, Americana - SP (07/09/1959)
AA Bandeirantes, Garça - SP (1952)
AA Ferroviária, Botucatu - SP (03/05/1939)
AA Nova Venécia, Nova Venécia - ES (24/04/1983)
Atlético CG, Goiânia - GO (02/04/1937)
CA Piracicabano, Piracicaba - SP (08/02/1914)
Cafelândia FC, Cafelândia - SP (26/04/1923)
Cascavel EC, Cascavel - PR (19/01/1979)
Castilho AC, Castilho - SP (1966)
CE Operário V, Várzea Grande - MT (01/05/1949)
Cruzeiro FC, Cruzeiro - SP (03/07/1914)
Duartina FC, Duartina - SP (23/12/1930)
EC Primavera, Indaiatuba - SP (27/01/1927)
EC São José, São José dos Campos - SP (13/08/1933)
ECUS Suzano, Suzano - SP (25/10/1993)
Ferroviário AC, Fortaleza - CE (09/05/1933)
Fortaleza EC, Fortaleza - CE (19/10/1913)
Ipiranga AC, Capão Bonito - SP (06/05/1944)
Miracema EC, Miracema - SP (05/05/1992)
Paulistano FC, Jundiaí - SP (23/06/1978)
Ribeirão Bonito EC, Ribeirão Bonito - SP (1960)
Rio Pardo FC, São José do Rio Pardo - SP (1914)
Santa Fé FC, Santa Fé - SP (08/03/1966)
Tupã FC, Tupã - SP (13/02/1944)
Uchoa FC, Uchoa - SP (03/01/1940)
União Suzano AC, Suzano - SP (25/01/1989)

Seleção dos principais, e nem considerando os que levam São Paulo também no nome (alusão óbvia demais). Dessa lista, como veem, somente os em negrito possuem fundação anterior ao Tricolor. Somente estes precisam ser explicados.

O Clube Atlético Piracicabano é de 1914, todavia, até a segunda guerra mundial se chamava Associação Atlética Sucrerie e possuía outro escudo. Adotou o novo simbolo em homenagem ao SPFC, que na época era um dos maiores esquadrões de futebol do Brasil.

O Cafelândia Futebol Clube somente adotou esse simbolo em meados dos anos 60, quando se profissionalizou. Caso parecido com o Rio Pardo Futebol Clube e o Cruzeiro Futebol Clube, que trocaram suas marcas nos anos 40 e 70, respectivamente.

Em Indaiatuba temos um caso clássico, visto que os moradores da cidade tem orgulho em dizer que o clube da capital os teria plagiado. Para eles, pena que não foi bem isso que aconteceu realmente.

Fundado em 1927, ou seja, três anos antes do São Paulo, o Esporte Clube Primavera, fruto da fusão do Sport Club Primavera e do Corinthians Futebol Clube, contudo, possuía outro símbolo. Na verdade, como se vê, chegou a ter outros dois símbolos antes de adotar, em clara homenagem, um idêntico ao Mais Querido.

Imagem do Almanaque do Futebol Paulista, 2002.

O distintivo em forma de estrela remonta ao SC Primavera, cujo simbolo era também uma estrela vermelha. O escudo em forma de letras remonta ao Corinthians FC (que tal qual o homônimo da capital, na época, tinha um simbolo nesta forma).

Já o Fortaleza Esporte Clube, do Ceará, teve outros três escudos ao longo de sua vida, um deles parecido até com o do Fluminense, antes de prestar homenagem ao clube paulista.


Desta forma conclui-se que de fato o simbolo do São Paulo é o original.

2. Uniforme

Alguns clubes com uniforme similar ao do São Paulo (entre parênteses a data de fundação):

7 de Setembro FC, Americana - SP (07/09/1959)
AA Bandeirantes, Garça - SP (1952)
AA Ferroviária, Botucatu - SP (03/05/1939)
AA Nova Venécia, Nova Venécia - ES (24/04/1983)
AE Santacruzense, Santa Cruz do Rio Pardo - SP (25/01/1931)
Atlético CG, Goiânia - GO (02/04/1937)
Boa Vista FC, Atibaia - SP (1961)
Botafogo FC, Ribeirão Preto - SP (12/11/1918)
CA Sorocabana de Mairinque, Mairinque - SP (12/03/1940)
Cafelândia FC, Cafelândia - SP (26/04/1923) *
CRE Carioba, Americana - SP (09/07/1914)
Duartina FC, Duartina - SP (23/12/1930)
EC Primavera, Indaiatuba - SP (27/01/1927) *
Ferroviário AC, Fortaleza - CE (09/05/1933)
Fortaleza EC, Fortaleza - CE (19/10/1913) *
Itaquaquecetuba AC, Itaquaquecetuba - SP (25/11/1980)
Jacareí AC, Jacareí - SP (27/11/1980)
Miracema EC, Miracema - SP (05/05/1992)
Paulistano FC, Jundiaí - SP (23/06/1978)
Ribeirão Bonito EC, Ribeirão Bonito - SP (1960)
Rinópolis FC, Rinópolis - SP (1946)
Ríver AC, Teresina - PI (01/03/1946)
Santa Cruz FC, Recife - PE (03/02/1914)
Santa Fé FC, Santa Fé - SP (08/03/1966)
Tupã FC, Tupã - SP (13/02/1944)
Uchoa FC, Uchoa - SP (03/01/1940)
União Suzano AC, Suzano - SP (25/01/1989)

*Casos já explicados. Convém notar que o uniforme original do Primavera de Indaiatuba, como visto na imagem daquele quadro, era similar ao River Plate.

Todo botafoguense de Ribeirão Preto, fanático, diz que o São Paulo copiou sua camisa. Não é bem assim:


Imagem datada de 1945 do próprio site do Botafogo Futebol Clube (site que no momento está fora do ar). Já nos anos 50 passaria a vestir-se tal qual como o São Paulo, justamente com o advento da profissionalização do futebol no interior.

Curiosamente sua camisa também parece com a do River Plate. (Primavera, Botafogo e River do Piaui possuem essa estranha coincidência, todos tiveram camisas inspiradas no clube argentino e depois trocaram por outra inspirada no São Paulo).

O Clube Rescreativo e Esportivo Carioba, de Americana, quando se profissionalizou para disputar o Campeonato Paulista da 4ª divisão de 1968 adotou as faixas tricolores. Fato que durou somente até o ano seguinte, quando abandonou o campeonato. Seu simbolo inclusive nem é tricolor. (E oras bolas, o São Paulo não iria plagiar um time chamado Carioba!).

Por fim, o Santa Cruz Futebol Clube, de Recife, conhecido também como Cobra Coral devido ao seu uniforme tricolor listrado horizontalmente. O Santa originalmente era alvinegro! Anos depois, para não confundir-se mais com outro clube, o Flamengo local, adotou também a cor vermelha.

Mas como veem, em 1931, seu uniforme era bem diferente. Provavelmente o seu uniforme 2, parecido com o do SPFC, só tenha sido adotado em meados dos anos 50, quando, inclusive, seu distintivo era idêntico ao clube paulista. (Clique aqui para ver a evolução dos simbolos do Santa).

Cabe destacar outros dois uniformes parecidos, embora não tenham ligação alguma com o São Paulo, para que não reste qualquer dúvida sobre a originalidade de nossa camisa.


Estas são fotos do Coritiba Foot-Ball Club. A primeira, de acordo com o site especial de 100 anos do clube parananese, é de 1931. A segunda é de 1938. Logo, menos uma possibilidade de nos acusarem de plágio. A recíproca não posso afirmar, mas também não creio.

E agora, a camisa nº 2 do Clube de Regatas Flamengo. Embora consideravelmente diferente, há quem possa ver agulha em palheiro. Deste modo uma explicação cai bem também.


De acordo com a Flapedia, essa camisa é de 1938 (O Lance! diz que é de 1937). Assim: sem problemas! Acontece que, ao visto, os flamenguistas se vangloriam de terem, por assim dizer, inventado o uniforme 2 no Brasil.

"O Uniforme branco foi inaugurado em 1938 pelo técnico Dori Krueschner com o intuito de ser utilizado em jogos noturnos e para servir como uniforme reserva. O Flamengo foi o clube pioneiro no Brasil a utilizar um segundo uniforme."

Citação do mesmo site. O fato não procede. O Club Athlético Paulistano, por exemplo, jogava as vezes com um uniforme listrado horizontalmente em vermelho e branco (Exibiu essa camisa inclusive em sua famosa excursão à Europa em 1925. E o São Paulo até usava camisas de treino inspiradas naquelas).

Sem falar que, desde 1933, no mínimo, o São Paulo possui segundo uniforme.


A primeira foto é destaque de um jornal de 1933, após goleada de 6 a 1 no Corinthians em 10 de setembro de 1933. A segunda mostra Friedenreich, todavia sua data é incerta (pode ser de 1930 a 1935).

Com isso, também é possível decretar a originalidade da camisa 1 do São Paulo (já que o formato da 2 é por demais comum à inúmeros clubes).

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