SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE

CNPJ/MF nº 60.517.984/0001-04
Fundação: 25 de janeiro de 1930
Apelidos: O Mais Querido, Clube da Fé, SPFC, Tricolor Paulista.
Esquadrão de Aço (30-35), Tigres da Floresta (30-35), Rolo Compressor (38-39, 43-49), Tricolor do Canindé (44-56), Rei da Brasilidade (50-60), Tricolor do Morumbi (60-), Máquina Tricolor (80/81), Tricolaço (80/81), Menudos do Morumbi (85-89), Máquina Mortífera (92/93), Expressinho Tricolor (94), Time de Guerreiros (2005), Soberano (2008), Jason (08-09), Exército da Salvação (2017).
Mascote: São Paulo, o santo.
Lema: Pro São Paulo FC Fiant Eximia (Em prol do São Paulo FC façam o melhor).
Endereço: Pr. Roberto Gomes Pedrosa, 1. Morumbi; São Paulo - SP. CEP: 05653-070.
Site Oficial: www.saopaulofc.net
E-mail: site@saopaulofc.net
Telefone: (55-0xx11) 3749-8000. Fax: 3742-7272.

sábado, 13 de abril de 2019

São Paulo F. C., o clube que precisa vencer um campeonato

Rubens Ulhoa Cintra para o Globo Esportivo, do Rio de Janeiro, de 10 de outubro de 1941

O São Paulo Futebol Clube é um caso único na história do futebol. A afirmativa pode parecer ousada, mas não temos dúvidas em formulá-la. Não conhecemos outro caso como o do Tricolor Paulistano, ou melhor, como o do público que apoia e acompanha esse clube.


A “torcida” do São Paulo é a melhor, a mais notável e extraordinária que conhecemos. Não acreditamos que exista outra tão entusiasta, tão valorosa, tão fiel, tão conformada. Dá tudo ao “seu” São Paulo F. C. e recebe muito pouco, quase nada. Acompanha o clube em todos os seus compromissos sofre com os seus reveses, briga, exalta-se. As outras “torcidas” também são assim, mas essas têm a compensação de grandes vitórias e de campeonatos ganhos, mas o São Paulo ainda não pôde dar ao seu público a imensa satisfação de um título de campeão. Todos os anos a “torcida” tricolor espera que o seu clube ganhe o campeonato, mas até hoje essa conquista não foi possível. Contenta-se então com colocações mais modestas, mas não se revolta, não protesta, espera sempre. Os seus jogadores, mesmo os mais modestos, os de menores recursos técnicos, são apoiados e aplaudidos. Os mais fracos jogadores do São Paulo, para os seus partidários, são superiores a todos os “ases” dos outros clubes.

Para que se dê o justo valor à “torcida” tricolor é preciso que se diga o que é o São Paulo F. C. Esse clube não possui campo próprio, não podendo, portanto, dar facilidades aos seus sócios, que não dispõem de um local para a sua recreação, de uma praça esportiva onde praticar outros esportes. A própria sede do clube é acanhada para o grande número de associados que possui. O São Paulo não oferece assim quase nada aos seus partidários. Os que o querem gostam do clube apenas por gostar, sem exigir, sem esperar qualquer retribuição. São tricolores porque o querem ser, por convicção, por entusiasmo, pela atração poderosa do nome do clube.

O São Paulo só oferece aos seus associados e admiradores os seus jogos. E todos os domingos já está a sua fiel “torcida”, gritando e vivando os seus favoritos. Antes do início das partidas, em coro chama pelo nome cada um dos jogadores que vão defender a camiseta das três cores, aplaudindo com calor todos os componentes da equipe. Durante o jogo os “torcedores” do São Paulo são os mais entusiastas, os mais barulhentos, os que mais se fazem notar. O “placar” não exerce a menor influência sobre o ânimo dessa gente. O quadro é aplaudido sempre, esteja ganhando ou perdendo. Se a vitória sorri ao São Paulo a sua “torcida” torna-se impossível, desorienta os rivais, sufoca com os seus gritos e aplausos o público do adversário. E quando as coisas não correm bem, não se diminui, não deixa de aproveitar todas as oportunidades para animar os seus favoritos, não rasga as suas carteiras. O “fan” tricolor sente a derrota, sentirá talvez mais do que todos, pois é mais vibrante e entusiasta do que todos, mas não se envergonha do seu clube. Atribui a derrota ao juiz, à violência dos contrários, à “chance”, porquê o seu quadro, mesmo batido, continua a ser o melhor do mundo.

Uma “torcida” como essa é realmente admirável. Apesar dos seus excessos é digna de consideração e de simpatia, pela sua fé inabalável no clube que escolheu para o seu favoritismo. Durante muito tempo o São Paulo foi conhecido como o “Clube da fé”. Na verdade, não possuía muito mais do que isso, mas essa fé sustentou o clube nos momentos mais difíceis, deu-lhe forças para resistir, anima esses partidários vibrantes e apaixonados.

Os “fans” do São Paulo esperam sempre que o seu clube lhes dê a suprema ventura de conquistar o campeonato paulista. Em 1931, o São Paulo F. C. ganhou o título, mas os afeiçoados de hoje consideram tão pouco essa conquista como se fora do Corinthians ou do Palestra. O campeão de 31 foi o outro São Paulo, o São Paulo nobre e fidalgo da Floresta, que nada tem que ver com o São Paulo popular de hoje, com o São Paulo que nada possui, a não ser essa “torcida” extraordinária. O público tricolor que dá quase sempre as maiores rendas do campeonato paulista, mesmo não intervindo o São Paulo na luta direta pela posse do título, merece essa satisfação que espera há tanto tempo. O São Paulo F. C., mais do que qualquer outro clube, precisa ganhar um campeonato, tem necessidade de conquistar um título. No dia em que o São Paulo for campeão!... Hoje, com uma equipe que nem sempre corresponde ao que dela se espera, sem campo, com uma sede modesta, o São Paulo é uma potência. Nenhum clube precisa, como o São Paulo, de um título de campeão. Os outros querem ser campeões para satisfazer a sua “torcida”, poderemos dizer que querem o título por vaidade, mas o São Paulo precisa do campeonato por uma necessidade premente, para poder subsistir, pois a sua situação não poderá continuar assim indefinidamente. Um dia esse seu público poderá ficar cansado, aborrecer-se de não ter campo, de só possuir uma sede pequena, de não poder dizer que o seu clube é campeão. O título, para o São Paulo, adquire assim uma importância extraordinária, muito maior do que representa para os demais.

No dia em que o São Paulo for campeão!... Nesse dia o Tricolor terá se transformado, real e efetivamente, na maior força do futebol de São Paulo. Nesse dia o clube das três cores terá um estádio grandioso, digno do seu nome e da sua popularidade, terá uma sede ampla e confortável, terá tudo aquilo com que sonha agora a sua “torcida”.

O Tricolor pouco a pouco se encaminha para essa meta. OS resultados dos seus esforços aparecem cada vez mais evidentes. O quadro sabe que precisa ser campeão, para que a sua “torcida” não venha a desanimar. Se isso chegar a suceder, o São Paulo não morrerá, mas passará a ser um desses clubes que disputam os campeonatos por disputar, sabendo de antemão que lhes está vedado o acesso ao título e às principais colocações. No ano passado o Tricolor se colocou em sexto lugar. No atual certamente, na pior das hipóteses, será o terceiro colocado. O seu grande sonho não se realizará em 1941, mas poderá ser realidade em 1942... Será esse o ano do São Paulo F. C.?... Deveria ser, para bem do futebol bandeirante e para satisfação dessa “torcida” que é a mais barulhenta, a mais entusiasta, a mais violenta, a mais irritante de todas, mas que, mesmo assim, é a mais admirável. Os jogadores do São Paulo, embora profissionais, são homens, têm alma e sentimento. E quanto não dariam eles para levantar o campeonato! Não por eles, embora o título lhes significasse muito, mas pelo seu público, pela “torcida”.



Um comentário:

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